A eletrificação da frota de carros brasileira deve acelerar de forma significativa nas próximas décadas, mas exigirá uma conta bilionária em infraestrutura para sair do papel. Estudo divulgado pelo Instituto MBCBrasil e elaborado pela LCA Consultores projeta que o número de veículos eletrificados no país pode crescer 44 vezes até 2040.
Segundo o levantamento, os modelos híbridos devem liderar essa expansão, representando 72% da frota eletrificada ao fim do período. No segmento de veículos leves, a eletrificação pode alcançar 17,4 milhões de unidades, o equivalente a mais de 27% da frota nacional.
O avanço, porém, depende de forte expansão da rede de recarga. O estudo estima a necessidade de cerca de 807 mil novos pontos de recarga entre 2025 e 2040 para atender a demanda projetada.
A conta de infraestrutura é expressiva: serão necessários entre R$ 20,7 bilhões e R$ 24,9 bilhões em investimentos em eletropostos até 2040, de acordo com o cenário base analisado.
Hoje, a infraestrutura ainda é vista como um dos principais gargalos. O próprio estudo aponta que a rede de recarga rápida em rotas de longa distância é “quase inexistente”, o que limita a expansão dos veículos elétricos no país.
Além da eletrificação, o trabalho indica que a transição para uma mobilidade de baixo carbono no Brasil deve ser multifonte. A demanda por etanol pode crescer mais de duas vezes até 2040, impulsionada também pelo uso em SAF (combustível sustentável de aviação) e no transporte marítimo.
No transporte pesado, o biometano aparece como vetor relevante de descarbonização. O estudo aponta potencial de produção entre 80 milhões e 120 milhões de m³ por dia, volume que poderia substituir até cerca de 70% do diesel importado no médio prazo.
Apesar do potencial, os autores destacam que a transição depende de avanços regulatórios, expansão da infraestrutura energética e desenvolvimento de cadeia local de baterias, hoje fortemente dependente de importações. A bateria pode representar 40% a 50% do valor de um carro elétrico, segundo o levantamento.
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Fonte : CNN