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O Bradesco anunciou nesta sexta-feira (27) a Bradsaúde, novo conglomerado que unifica todas as operações do banco no segmento, com receita em R$ 52 bilhões e mais de 13 milhões de beneficiários, considerando resultados de 2025.

Em entrevista exclusiva ao CNN Money, Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, e  Luiz Trabuco, presidente do conselho de administração, detalharam a operação e ressaltaram que o novo grupo vem para destravar o valor de mercado do banco, oferecendo ao mercado uma nova opção no mercado financeiro.

“O Bradesco é o acionista controlador e a gente continua consolidando esse conjunto”, destacou Noronha.

A Bradsaúde vai concentrar Odontoprev, Atlântica Hospitais e participações, entre outras operações do banco.

De acordo com o Bradesco, o objetivo é simplificar a estrutura societária e ampliar a oferta de serviços de saúde e odontologia. Essa movimentação ainda deve ser aprovada pelo conselho de acionistas das empresas. A do Bradesco deve ser feita em março e a da Odontoprev só em abril.

“O Bradesco é controlador de uma moeda com duas faces, de um lado o braço financeiro e do outro a Bradsaúde. Através dessa união de esforços, nós podemos oferecer ao mercado uma nova opção na bolsa de valores“, afirmou Trabuco.

“Então, para o acionista do Bradesco, a operação é sensacional e para o acionista minoritário da Odontoprev, também é”, destacou. “Destrava o valor do Bradesco, mostra que a gente tem muita riqueza”, complementou Noronha.

Ao CNN Money, os executivos ainda destacaram o momento do banco, pontuando que a instituição financeira tem muita riqueza e potencial de upside com crescimento altamente competitivo em diversas frentes para oferecer aos acionistas.

“O conjunto de ativos estava em valores históricos e quando você avalia, reavalia e faz o valuation do negócio, tem mais valia ao Bradesco, que é o acionista majoritário, mas também tem valor para o acionista minoritário, por isso destrava valor ao mercado”, afirmou Noronha.

Conforme apresentação do grupo sobre a operação, a organização combinada tem apresentado mais de 50% de crescimento no lucro anual médio desde 2022 e atuará em um mercado endereçável de R$ 435 bilhões.

O Bradesco terá uma participação de 91,35% na nova estrutura, com os acionistas minoritários de Odontoprev ficando com os 8,65% restantes.

Política fiscal e eleições

Os executivos também defenderam o equilíbrio estrutural das contas públicas, destacando que o tema fiscal não está na pauta dos candidatos à presidência da República.

“O tema fiscal é crucial para o mercado, mas não é o tema principal que os candidatos exploram. É super importante para o mercado brasileiro e para a população também, mas, de uma forma geral, não se discute isso”, destacou Noronha.

“A política fiscal é crucial para a gente ir para a frente. A gente precisa ter um equilíbrio estrutural. Não é desse governo, não é do passado, mas a gente tem um aspecto estrutural, que a gente traz historicamente, que é a questão da dívida pública. Se a gente conseguir equilibrar a dívida pública, a gente pode ter um Brasil crescendo muito mais”, continuou o CEO.

Otimismo com cenário global

Trabuco ressaltou que a conjuntura global é volátil, mas que há convicção de que a humanidade não saiu do centro do palco.

Ao CNN Money, o presidente do conselho de administração do Bradesco disse que o mundo funciona em ciclos e demonstra otimismo com o cenário global, apesar de turbulências.

“Tem momentos de sístole e momentos de diástole, tem momentos de aberturas e momentos de fechamento. Este é o caminhar do mundo, então, independente da sístole ou da diástole, nós temos de olhar para frente”, disse o executivo.

“Pode ter reduzido de importância os organismos multilaterais, mas o mundo continua globalizado e a inteligência artificial, a digitalização, os meios de comunicação direta e indireta, fazem com que as pessoas estejam mais próximas”.

Juros e apetite moderado

O lançamento do Bradsaúde ocorre em um momento de juros em dois dígitos, com sinalizações do BC (Banco Central) em iniciar o corte da Selic a partir de março.

O CEO destacou que o cenário mantém o apetite ao risco do Bradesco moderado, com oportunidades de crescimento em linhas mais seguras.

A atual taxa de juros em 15% é mais problema para empresas do que para pessoas físicas, destacou Noronha, apontando que a expectativa de crédito é menor.

“O custo nominal de juros atual no Brasil aperta mais algumas companhias, então a gente vem olhando para isso e tomando os devidos cuidados”, destacou.

“A questão da taxa não é um problema para a pessoa física, mas é para a jurídica, o custo de carregamento não é trivial. O custo nominal dos juros hoje aperta um pouco mais algumas companhias”, afirmou.

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Fonte : CNN

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