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A afirmação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o Irã em breve terá um míssil capaz de atingir os Estados Unidos não é corroborada por relatórios da inteligência americana e parece ser exagerada, segundo três fontes familiarizadas com os relatórios, o que lança dúvidas sobre parte de sua argumentação a favor de um possível ataque à República Islâmica.

Em seu discurso sobre o Estado da União ao Congresso na terça-feira (24), Trump começou a apresentar argumentos ao público americano sobre por que os EUA poderiam lançar ataques contra o Irã, afirmando que Teerã estava “trabalhando em mísseis que em breve alcançarão” o país.

Mas não houve mudanças, afirmaram duas fontes, na avaliação não classificada da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA para 2025, que previa que o Irã poderia levar até 2035 para desenvolver um ICBM (míssil balístico intercontinental) militarmente viável a partir de seus atuais SLV (veículos de lançamento espacial) para satélites.

“O presidente Trump está absolutamente certo em destacar a grave preocupação representada pelo Irã, um país que clama por ‘morte à América’, por possuir mísseis balísticos intercontinentais”, declarou a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly.

Uma fonte afirmou que, mesmo que a China ou a Coreia do Norte — que cooperam estreitamente com o Irã — fornecessem assistência tecnológica, o Irã provavelmente levaria pelo menos oito anos para produzir “algo que seja de fato um míssil balístico intercontinental e operacional”.

As fontes, que falaram sob condição de anonimato para discutir informações de inteligência sensíveis, disseram desconhecer qualquer avaliação da inteligência americana de que o Irã estivesse desenvolvendo um míssil capaz de atingir o território continental dos EUA em breve.

Mas eles não descartaram a possibilidade de um novo relatório de inteligência do qual não tinham conhecimento.

O jornal New York Times foi o primeiro a noticiar que as agências de inteligência americanas acreditam que o Irã provavelmente ainda está a anos de distância de possuir mísseis capazes de atingir os Estados Unidos.

EUA dizem que Irã está no “caminho” para armas que podem atingir os EUA

A declaração de Trump sobre a capacidade de mísseis do Irã ocorreu enquanto representantes dos EUA e do Irã negociam o programa nuclear de Teerã, sem sinais de um avanço que possa evitar potenciais ataques americanos em meio a uma enorme expansão militar na região.

O presidente americano pouco fez para explicar publicamente por que estaria liderando os EUA em sua ação mais agressiva contra a República Islâmica desde a revolução de 1979.

No discurso de terça-feira (24), o líder americano apontou o apoio de Teerã a grupos militantes, o assassinato de manifestantes e os programas nucleares e de mísseis do país como ameaças à região e aos Estados Unidos.

Sem apresentar provas, Trump disse que Teerã estava começando a reconstruir o programa nuclear que, segundo ele, havia sido “aniquilado” por ataques aéreos americanos em junho passado contra três importantes instalações de enriquecimento de urânio.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se referiu na quarta-feira ao programa de mísseis balísticos do Irã em termos menos definitivos do que Trump, afirmando que Teerã está “no caminho para um dia ser capaz de desenvolver armas que possam atingir o território continental dos EUA”.

O Irã nega buscar um arsenal nuclear, afirmando que seu enriquecimento de urânio – um processo que produz combustível para usinas nucleares e ogivas nucleares, dependendo de sua duração – destina-se estritamente a usos civis.

Em entrevista à India Today TV, divulgada na quarta-feira (25), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, negou que o Irã esteja expandindo suas capacidades de mísseis.

“Não estamos desenvolvendo mísseis de longo alcance. Limitamos o alcance a menos de 2 mil quilômetros intencionalmente”, falou ele. “Não queremos que se tornem uma ameaça global. Só os temos para nos defender. Nossos mísseis servem para dissuasão.”

Irã afirma que o programa de armas foi encerrado em 2003

A comunidade de inteligência dos Estados Unidos e a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), órgão de vigilância nuclear da ONU (Organização das Nações Unidas), afirmaram que o Irã encerrou seu programa de desenvolvimento de armas nucleares em 2003.

Mas, segundo a AIEA, Teerã continuou enriquecendo urânio nos últimos anos, inclusive a níveis próximos aos necessários para armas nucleares.

Donald Trump ameaçou atacar o Irã caso o país execute pessoas presas durante os protestos antigovernamentais de janeiro ou não chegue a um acordo sobre seu programa nuclear nas negociações com os EUA.

O Irã possui a maior força de mísseis balísticos do Oriente Médio, com mísseis capazes de atingir Israel, bases americanas na região e partes da Europa.

O país também desenvolveu os chamados SLVs (veículos de lançamento espacial), que colocam satélites em órbita e que, segundo especialistas, poderiam ser modificados para se tornarem ICBMs (mísseis balísticos intercontinentais) capazes de transportar ogivas nucleares.

Enquanto os SLVs lançam satélites, os ICBMs liberam veículos de reentrada que protegem as ogivas das altas temperaturas e forças produzidas pela reentrada na atmosfera terrestre.

Mas David Albright, ex-inspetor nuclear da ONU, afirmou que o Irã está muito longe de ser capaz de acoplar a um míssil um veículo de reentrada com ogiva nuclear que possa sobreviver ao calor e às forças extremas da reentrada na atmosfera terrestre.

“O Irã pode lançar um míssil de longo alcance graças à sua tecnologia de lançamento espacial”, disse Albright, presidente do think tank Instituto para Ciência e Segurança Internacional. “Mas é preciso muito trabalho para desenvolver um veículo de reentrada adequado.”

Albright e outros especialistas observaram que os ataques aéreos israelenses no ano passado e em 2024 danificaram gravemente instalações importantes onde Teerã produz mísseis balísticos de combustível líquido e sólido.

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Fonte : CNN

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