A recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump alterou o cenário das relações comerciais entre Washington e Brasília. Para Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do grupo Eurasia, a medida facilita a costura de um novo entendimento bilateral, embora o cenário ainda exija prudência.
Ao analisar se a queda das taxas simplifica um pacto entre as duas nações, Garman é direto: “A resposta é sim, mas ainda precisamos de muita cautela nesse diagnóstico”. Segundo o analista, o fim das sobretaxas elimina um impasse histórico que travava as conversas. Enquanto o Brasil exigia a retirada das tarifas como condição prévia para negociar, os americanos preferiam mantê-las para garantir maior poder de barganha.
Com a remoção desse obstáculo jurídico, o clima para a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aos Estados Unidos, prevista para março, torna-se mais favorável. “Com as tarifas derrubadas, podemos entrar nesse encontro em março com um ambiente mais propício para negociar um acordo”, afirma Garman.
Risco da “muralha tarifária”
Apesar do otimismo moderado, a Eurasia alerta que o governo brasileiro ainda enfrenta perigos iminentes. De acordo com Garman, a Casa Branca demonstra forte interesse em demonstrar que mantém o controle sobre sua política comercial, buscando alternativas para reerguer as barreiras derrubadas pelo Judiciário.
“A Casa Branca e o presidente Donald Trump estão querendo dar sinais de que eles conseguem reconstruir essa muralha tarifária”, explica o diretor da Eurasia. Ele destaca que os EUA já iniciaram uma investigação baseada na “Seção 301” para fundamentar a imposição de novos tributos sobre produtos brasileiros.
Nesse contexto, a reunião presidencial em Washington ganha um peso estratégico ainda maior. O principal desafio da diplomacia brasileira será blindar o comércio nacional contra essas novas investidas protecionistas.
“O encontro de março vai ser muito importante porque vai exigir que a negociação brasileira evite a reimposição de tarifas sobre investigações que já estão em curso”, pontua Garman.
O analista conclui que, embora as chances de um desfecho positivo sejam altas, o governo não deve baixar a guarda. “Achamos que um acordo deve sair, mas o risco permanece.”
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Fonte : CNN