O GPA (Grupo Pão de Açúcar) enfrenta um momento crítico e precisa renegociar suas dívidas para garantir a continuidade de suas operações.
A situação financeira da companhia tem gerado preocupação no mercado, apesar de sinais de melhora operacional. A empresa anunciou recentemente alternativas complementares de geração de caixa para enfrentar os desafios atuais.
Segundo Ana Paula Tozzi, CEO da AGR, a empresa tem demonstrado melhora em seus resultados operacionais, com vendas em mesmas lojas quase empatando com a inflação de alimentos.
“A redução dos custos e a melhora na gestão de portfólio já começou a fazer algum efeito”, afirma. No entanto, Tozzi destaca que o problema atual não é resultado apenas do último trimestre, mas de “um consistente acúmulo de prejuízos” que levou ao aumento do endividamento.
Crise de identidade estratégica
Para a especialista, além das questões financeiras, o GPA enfrenta uma “crise de identidade” em relação ao seu posicionamento no mercado.
“A gente tem que olhar os últimos dois anos em que a gente enxerga a troca de comando, a gente enxerga um pouco de dificuldade estratégica. Afinal de contas, eu vou ser um supermercado premium ou eu vou ter um foco em preço e vou no atacado?”, questiona Tozzi.
O principal problema apontado pela especialista é que os vencimentos das dívidas estão concentrados em 2026, o que “sufoca a operação”. A geração de caixa atual não é suficiente para cobrir os custos de carregamento da dívida, criando um efeito “bola de neve” onde a diferença se transforma em mais dívida.
“O primeiro passo é reorganizar essas dívidas que vencem agora, isso é fundamental para ter fôlego para convencer o mercado de que agora encontrou identidade”, explica.
Perspectivas para o futuro
Apesar dos desafios, Tozzi se mostra menos pessimista sobre o futuro da companhia.
“Não é de interesse de ninguém que a operação não tenha continuidade, obviamente, nem é do mercado de capitais, nem é dos bancos que financiam essa dívida, muito menos dos consumidores”, avalia.
A especialista acredita que haverá um movimento de reposicionamento estratégico e simplificação operacional.
O setor de varejo alimentar brasileiro apresenta particularidades que justificam a busca por margens maiores do que as observadas em outros países. É um setor de capital intensivo e com alta complexidade operacional.
No caso específico do GPA, além dos desafios setoriais, a empresa passou por uma cisão, por mudanças no controle acionário e por trocas de comando, fatores que afetaram a gestão do dia a dia.
Para superar a crise atual, o GPA precisará não apenas alongar suas dívidas, mas também definir claramente sua estratégia e manter uma rigorosa disciplina de custos.
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Fonte : CNN