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Pesquisas ao redor do mundo têm revelado uma tendência preocupante: as novas gerações podem estar apresentando um Quociente de Inteligência (QI) menor do que o de seus pais pela primeira vez em um século. Esta constatação representa uma mudança histórica significativa no desenvolvimento cognitivo humano.

Durante o século XX, o pesquisador James Flynn observou um aumento consistente de 2 a 3 pontos no QI a cada década desde os anos 1930, o chamado “efeito Flynn”. No entanto, a partir de 1990, os estudos começaram a indicar uma redução ou estagnação desses índices, contrariando a tendência de crescimento que perdurou por décadas – alguns especialistas já chamam a tendência de “efeito Flynn reverso”.

Entre os diversos fatores que podem estar contribuindo para essa mudança, o uso excessivo de telas tem sido apontado como um dos principais responsáveis, embora não seja o único. Durante o quadro Leitura do Fato, Pedro Pacífico explica que a questão vai além das telas, mas não podemos ignorar os efeitos da tecnologia: “O que a gente vem observando é que, por diferentes fatores, a gente vê essa diminuição”.

Mudanças nas habilidades cognitivas

Pedro ressalta que as novas gerações estão desenvolvendo habilidades diferentes. A inteligência não se limita apenas à capacidade de realizar provas – como medida pelos testes de QI –, mas engloba também aspectos emocionais e relacionais. O que se percebe é uma transformação nas competências cognitivas, influenciada pelo ambiente digital em que as crianças e jovens estão imersos.

Outros fatores também são mencionados como possíveis causas para essa diminuição do QI, entre eles a exposição à poluição, considerada “seríssima”, a falta de nutrientes adequados, alimentação de pior qualidade e mudanças nos estímulos dentro do ambiente familiar. Curiosamente, foram justamente melhorias nesses aspectos (pré-natal, nutrição, estímulos familiares) que justificaram o aumento do QI durante o século passado.

Um ponto relevante levantado durante a entrevista é o impacto da inteligência artificial nesse cenário. Atividades que antes exigiam esforço mental considerável, como escrever uma redação ou decorar um trajeto, hoje são facilitadas por ferramentas tecnológicas como o ChatGPT ou aplicativos de GPS.

“Quando a gente abria e precisava ver o mapa, isso é um estímulo. Fora a tela, claro, que a gente entende que o cérebro acaba sendo moldado de uma maneira diferente”, explica o especialista.

Possíveis soluções

Para enfrentar essa tendência de diminuição do QI, algumas medidas são sugeridas. A limitação do tempo de exposição às telas é apontada como um dos principais fatores que podem ajudar a reverter esse quadro. Além disso, é importante estimular atividades que levem as crianças para fora de casa, incentivando o exercício físico e combatendo o sedentarismo associado ao uso excessivo de dispositivos eletrônicos.

A leitura também é mencionada como uma atividade fundamental para o desenvolvimento cognitivo. Pedro Pacífico ainda sugeriu alguns títulos que podem atrair crianças e adolescentes para o hábito da leitura, como a história em quadrinhos “Maus”, o romance “Capitães de Areia”, de Jorge Amado, e a série “Desventuras em Série”, voltada para pré-adolescentes.

Embora o cenário pareça alarmante, os especialistas ressaltam que é preciso cautela ao interpretar esses dados, uma vez que os métodos de medição do QI também evoluíram ao longo do tempo, tornando difícil a comparação direta entre diferentes gerações. Além disso, as habilidades valorizadas e necessárias na sociedade atual são distintas daquelas privilegiadas no passado, o que pode influenciar na interpretação dos resultados dos testes de inteligência.

*Publicado por Fernanda Pinotti, da CNN Brasil

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Fonte : CNN

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