O cenário da educação básica no Brasil apresenta sinais consideráveis de avanço na correção do fluxo escolar.
De acordo com a primeira etapa do Censo Escolar 2025, apresentado na manhã desta quinta-feira (25) pelo MEC, a taxa de distorção idade-série na rede pública — que mede o percentual de alunos com atraso escolar de dois anos ou mais — registrou uma queda significativa entre 2021 e 2025.
Diminuição da distorção idade-série em todas as etapas
Um dos pontos de destaque da entrevista coletiva cedida pelo MEC indica melhorias significativas em todas as fases da educação básica.
No ensino fundamental, o índice recuou de 15,6% para 11,3%, enquanto no ensino médio a retração foi ainda mais acentuada, caindo de 27,9% para 17,6%.
A melhora é especialmente visível no 3º ano do ensino médio, onde a distorção despencou de 27,2% para 14% no período analisado.
Especialistas apontam que políticas de permanência têm sido fundamentais para esse resultado. Desde 2023, o programa Pé-de-Meia oferece um incentivo financeiro-educacional aos estudantes de baixa renda matriculados no CadÚnico (Cadastro Único), funcionando como uma poupança para estimular a conclusão dos estudos.
Com um investimento de R$ 16,2 bilhões, a iniciativa já alcançou mais de 5,6 milhões de jovens, buscando reduzir a desigualdade social e fomentar a mobilidade.
O abismo da desigualdade racial
Apesar dos números positivos, os dados do Censo Escolar revelam que o sistema educacional brasileiro ainda lida com profundas disparidades raciais. Em todas as etapas de ensino, o atraso escolar entre alunos que se declaram pretos ou pardos é sistematicamente maior do que entre os alunos brancos.
Fábio Bravin, da diretoria de estatísticas educacionais do Inep/MEC, destaca que a desproporção se torna gritante na etapa final da educação básica.
“Quando a gente olha essa questão distorção idade série por cor e raça, a gente vai olhar que no caso do ensino médio os brancos têm uma distorção de 11% e pretos e pardos quase o dobro, 19%. Então temos ainda esse desafio de permitir que esse sistema seja mais igualitário, mais equitativo. Então é possível você avaliar não apenas a diversidade, mas também a desigualdade em algumas situações”, detalha o especialista.
MEC comemora acesso à escola
Para o ministro Camilo Santana, a melhoria dos indicadores de distorção idade-série está diretamente relacionada à queda do número de matrículas. Em sua avaliação, este parâmetro leva em conta a quantidade de alunos que frequentam a série adequada à sua idade e não estão “atrasados” nos estudos.
“Os alunos estão repetindo menos. Antes, a retenção inchava o sistema. Passando ano a ano, à medida que eu reduzo a distorção idade-série e dou oportunidades aos alunos que estão atrasados para eles concluam, eu reduzo o número de matrículas.”, apontou.
Contudo, Santana destaca a importância da permanência do jovem estudante em sala de aula. “A meta é reduzir o número de alunos indo para o EJA ( Educação de Jovens e Adultos), porque isso significa que os mais jovens estão aprendendo conteúdo escolar na idade certa. É importante eles passarem de ano, mas tendo aprendido”.
Os dois fenômenos, segundo ele, indicam maior eficiência do sistema educacional do país. Para o ministro, o Censo Escolar mostrou que a educação brasileira conquistou avanços significativos em 2025. “O Brasil praticamente universalizou o acesso à escola. Precisamos garantir a qualidade, a equidade”.
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Fonte : CNN