A Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) afirma em estudo que o fim da escala 6×1 vai encarecer as obras em 20% e deve impactar o acesso à casa própria de 4,8 milhões de famílias.
O resultado considera que a mão de obra representa cerca de 40% do custo dos empreendimentos e, com a redução de jornada de trabalho, considerando efeitos diretos e indiretos sobre trabalho, materiais e serviços, o custo total dos empreendimentos em relação ao VGV (valor geral de vendas) deve subir em 5,5% no cenário de 40 horas e em 11% no cenário de 36 horas, segundo a pesquisa feita pela Ecconit.
O Congresso Nacional discute a redução da jornada semanal de trabalho, atualmente fixada em 44 horas, medida que tem gerado discussão no setor privado sobre seus potenciais impactos à estrutura da economia brasileira.
A Abrainc destaca que o principal efeito social do encarecimento das obras em decorrência do fim da 6×1 é o menor acesso a moradias.
A entidade ressalta que a medida poderá provocar um aumento no custo dos financiamentos imobiliários e restringir a acessibilidade para milhões de famílias.
Simulações realizadas para imóveis de R$ 200 mil, voltados à habitação popular, indicam que:
- No cenário de 40 horas: valor total pago pelos consumidores subiria para R$ 211 mil e 1,6 milhão de famílias seriam excluídas do acesso ao financiamento por renda insuficiente;
- No cenário de 36 horas: subiria a R$ 222 mil e excluiria 3,3 milhões.
No segmento de Médio e Alto Padrão, para imóveis avaliados em R$ 500 mil:
- 40 horas: subiria R$ 527,5 mi e excluiria 570 mil famílias;
- 36 horas: iria a R$ 555 mil e tiraria 860 mil.
Em nota, a Abrainc defende que o debate sobre novos modelos de jornada de trabalho precisa ser “feito com cautela e considerando os impactos em toda a sociedade”.
“A redução da jornada e o fim da escala 6×1 precisam ser discutidos com base em dados e nos efeitos práticos sobre os setores produtivos e as famílias. Alterações estruturais dessa magnitude geram aumento de custos que impactam investimentos, reduzem o ritmo de novos projetos e afetam diretamente o acesso à moradia”, afirma Luiz França, presidente da Abrainc.
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Fonte : CNN