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Saulo Láuar, primo do desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), alega ter sido vítima de uma tentativa de abuso sexual por parte do magistrado quando tinha 14 anos.

Em um vídeo postado nas redes sociais nesta quarta-feira (25), ele afirma que ter o denunciado foi o “maior desafio” de sua vida e que tem como objetivo, com o seu depoimento, ajudar outras vítimas.

O primeiro relato feito por Saulo aconteceu em seu perfil no Instagram, na segunda-feira (23), após a repercussão do caso de absolvição de dois réus acusados de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos. Foi nessa mesma ação penal, que Magid absolveu um homem de 25 anos e a mãe da vítima, alegando que a criança e o sujeito mantinham relações amorosas “consentidas”

Segundo Saulo, este episódio reabriu uma “ferida” vivida por ele junto com um sentimento de indignação, e por isso decidiu expor o que foi sofrido enquanto trabalhava para o desembargador, aos 14 anos de idade.

Ele tentou abusar sexualmente de mim quando eu tinha 14 anos de idade. Quando eu trabalhava pra ele. O ato só não se consumou porque eu fugi. Infelizmente eu não tenho vontade de desejar bom dia, porque estou sem dormir direito desde a notícia dessa absolvição do pedófilo. Estou revivendo uma dor pessoal que guardei por todos esses anos e que, apesar de todo tratamento psicológico que ainda faço, a ferida se abriu novamente. Meu corpo está tenso, dolorido e a garganta entalada

Saulo Láuar

O primo do magistrado afirmou ainda que Magid quis “apagar e esconder” o crime cometido.

“Essa decisão mostrou a face que só eu conheci e, mesmo assim, quis esconder e tentar apagar. Eu lamento mais essa dor da exposição, mas ela vem como um pedido: protejam-se, falem alto sobre os seus limites e dores, denunciem. Quando nos calamos, a dor cresce e se espalha, as feridas não cicatrizam e pode ser tarde demais!”, escreveu.

Como apurado pela âncora Tainá Falcão, da CNN Brasil, a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) analisa essa e outra denúncia de assédio sexual contra o magistrado. A decisão ainda depende do avanço das investigações, mas o ambiente no órgão apurador é de “tolerância zero” para esse tipo de denúncia. Se confirmado, ele poderá ser afastado do cargo.

A CNN Brasil não encontrou a defesa do desembargador. O espaço segue aberto para um posicionamento.

Absolvição de réu foi revertida

Após repercussão nacional e internacional — com manifestações contrárias inclusive da ONU —, o Tribunal de Justiça de Minas recorreu da decisão que havia absolvido os réus. O próprio desembargador Magid Nauef Lauar reviu o entendimento, anulou a absolvição e determinou a prisão do homem de 35 anos, acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos.

Inicialmente, o homem e a mãe da vítima haviam sido absolvidos. Em seu voto, o desembargador destacou declarações da vítima sobre o comportamento do acusado. Segundo ele, a adolescente fez elogios à forma como o homem a tratava.

“Chamou a atenção também os elogios tecidos pela vítima ao apelante, enfatizando a forma como lhe tratava e valorizava, o quanto ele era bom para ela e sua família”, afirmou.

O magistrado também argumentou que a relação não decorreu de violência, coação, fraude ou constrangimento, classificando-a como um “vínculo afetivo consensual”, com conhecimento dos responsáveis.

No entanto, o procurador de Justiça André Ubaldino afirmou, em coletiva de imprensa realizada na terça-feira (24), que o caso gerou um “sentimento de indignação” e que o Ministério Público recorreu da decisão por meio de embargos de declaração — recurso utilizado para que os próprios magistrados revisem o julgamento diante de possíveis omissões, contradições ou erros.

O recurso foi acolhido, e o desembargador reviu a decisão na tarde desta quarta-feira (25).

*Sob supervisão de AR.

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Fonte : CNN

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