Após a condenação dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), a mãe de Marielle Franco afirmou que “é um alívio, mas não acaba hoje”.
Por unanimidade, o colegiado decidiu nesta quarta-feira (25) pela condenação dos dois pela morte da vereadora (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes, em 2018. As penas foram fixadas em 76 anos e 3 meses.
A decisão foi anunciada oito anos após o crime e marcou um novo capítulo no caso. Em coletiva concedida depois do julgamento, a mãe da vereadora classificou a data como simbólica para a família. “Dia histórico de mais um dever cumprido dessa família que encaminhou esses oito anos.”
Ela declarou que a resposta aguardada finalmente foi dada, ao mencionar a principal pergunta que, segundo ela, atravessou o período desde 2018.
“Hoje tivemos essa resposta. É um alívio, mas também não acaba hoje. Temos um júri popular para acontecer e espero que seja positivo. A pergunta que ecoava era quem mandou matar Marielle e hoje tivemos a resposta. Saímos de cabeça erguida”, disse.
Ao reforçar que o processo ainda terá desdobramentos, a mãe destacou a expectativa pelo próximo julgamento citado por ela. Também agradeceu aos profissionais de imprensa que acompanharam o caso desde o início. “Agradeço a imprensa que nos acompanhou nestes oito anos.”
Papel do STF
A mãe de Marielle Franco também fez uma defesa enfática do papel do STF durante a coletiva.
“O STF é uma Instituição séria, com dignidade, com respeito e com democracias”, compartilhou, ao comentar a atuação da Corte no julgamento.
Ela ressaltou ainda que, na avaliação dela, os ministros cumpriram seu papel ao analisar o caso.
“Pessoas tentam desqualificar esses homens que estão aqui como guardiões e fazem justiça, como fizeram pela minha filha”, afirmou.
No final, reforçou que a família seguirá acompanhando os desdobramentos do processo.
“Não vamos permitir impunidade e não vamos permitir que o mal prevaleça”, concluiu.
Condenação
Ex-conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro), Domingos Brazão foi um dos mandantes da morte da vereadora.
Segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), ele teria ordenado o assassinato de Marielle por interesses econômicos ligados à regularização fundiária em áreas do Rio dominadas por milícias.
Seu irmão, Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho, era vereador da capital fluminense à época do crime. A PGR aponta que ele e Domingos agiram em conjunto na decisão de eliminar Marielle.
A vereadora, então colega de Chiquinho na Alerj (Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro), teria tido embates políticos sobre projetos de regularização urbana e uso do solo com os irmãos.
A acusação da PGR argumentou que ambos integravam uma organização criminosa com atuação na Zona Oeste do Rio, ligada a milícias, grilagem de terras e formação de currais eleitorais.
No Supremo, os dois foram condenados pelos crimes de:
- duplo homicídio;
- tentativa de homicídio; e
- organização criminosa armada.
Além disso, os irmãos se tornarão inelegíveis a partir do trânsito em julgado (quando não cabe mais recurso). Até lá, terão os seus direitos políticos suspensos, incluindo o direito ao voto.
Domingos também perdeu o seu cargo público como conselheiro do TCE-RJ. Chiquinho já havia perdido o seu mandato como deputado federal em abril do ano passado.
Os irmãos continuarão presos preventivamente até o julgamento se tornar definitivo. Domingos está detido no Presídio Federal de Porto Velho, em Rondônia, enquanto Chiquinho encontra-se em prisão domiciliar no Rio de Janeiro, para onde foi transferido depois de comprovar problemas de saúde.
source
Fonte : CNN