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Um vídeo caseiro mostra o agricultor Sidrônio Moreira comemorando ao ver um líquido surgir de um poço em sua propriedade, no município de Tabuleiro do Norte, no Sertão do Ceará. Inicialmente, ele acreditava ter encontrado água para abastecer a casa, mas meses depois surgiu a suspeita de que o líquido extraído do solo poderia, na verdade, ser petróleo.

O registro do momento viralizou nas redes sociais na segunda-feira (23). Veja:

Reprodução/Redes sociais

O episódio ocorreu no Sítio Santo Estevão, comunidade rural localizada no topo da Chapada do Apodi, no Baixo Vale do Jaguaribe, a cerca de 35 quilômetros da sede do município. Morador da área, Sidrônio decidiu investir recursos próprios na perfuração de um poço artesanal como tentativa de enfrentar a escassez recorrente de água na propriedade.

“Quando eu cheguei aqui, sem água, eu disse: ‘vou furar um poço’. Chamei minha esposa, fizemos um empréstimo do nosso dinheiro, da aposentadoria, e furei esse poço. Só que não deu água, deu foi esse material”, conta o agricultor.

A escavação teve início em novembro de 2024 e ultrapassou 40 metros de profundidade, sem alcançar o lençol freático. No lugar da água, surgiu um líquido escuro, espesso e com odor característico, o que levou à interrupção do trabalho.

Na tentativa de contornar o problema, Sidrônio autorizou uma nova perfuração em outro ponto do terreno, a cerca de 50 metros de distância. O resultado, porém, foi semelhante. Com aproximadamente 23 metros de profundidade, voltaram a aparecer indícios do mesmo material, o que levou à suspensão definitiva das escavações.

Os poços foram isolados e a família permaneceu sem acesso à água. Meses depois, um dos filhos decidiu recolher uma amostra do líquido encontrado, improvisando instrumentos para retirá-lo do interior do poço. O comportamento inflamável do material reforçou a suspeita de que não se tratava de água.

A amostra foi encaminhada ao campus de Tabuleiro do Norte do IFCE (Instituto Federal do Ceará), que passou a investigar o caso. Segundo o engenheiro químico do IFCE, Adriano Lima, a instituição recebeu o relato com cautela, principalmente pela profundidade rasa em que o material teria sido encontrado, o que não é comum nesse tipo de ocorrência.

 

Diante das características observadas, o IFCE decidiu aprofundar a apuração e buscou apoio externo para análises físico-químicas. O material foi enviado ao Núcleo de Pesquisa em Economia de Baixo Carbono da Universidade Federal do Semi-Árido, em Mossoró (RN).

De acordo com Adriano Lima, os testes indicaram que se trata de uma mistura de hidrocarbonetos com propriedades semelhantes às do petróleo extraído em terra na Bacia Potiguar. A constatação, porém, é preliminar e não configura confirmação de jazida nem viabilidade de exploração.

Com o resultado inicial, o IFCE orientou a família sobre os procedimentos legais e informou que os recursos minerais pertencem à União, mesmo quando encontrados em propriedade privada. O caso foi comunicado à ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), responsável por avaliar a situação.

Segundo o IFCE, a ampla repercussão do vídeo nas redes sociais tem sido importante para despertar o interesse de outras instituições em colaborar na avaliação do material coletado. A instituição informou ainda que acionou a ANP para tentar acelerar uma mobilização e obter um retorno para a família, já que o poço fica a poucos metros da residência, a cerca de quinze passos da porta da casa de seu Sidrônio.

Mas, apesar da repercussão, a prioridade da família continua sendo o acesso à água.

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Fonte : CNN

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