Os contratos futuros da soja encerraram a terça-feira (24) em alta na Bolsa de Chicago. O vencimento março avançou 0,46%, cotado a US$ 11,3950 por bushel.
No cenário internacional, os preços operaram mais firmes e alinhados, sustentados tanto pelo farelo quanto pelo óleo de soja, que também registraram suporte nas negociações.
A Agrinvest informou que as cotações voltaram a subir diante de rumores de compras chinesas no PNW (Pacific Northwest, região do noroeste do Pacífico dos Estados Unidos, importante corredor de exportação agrícola) envolvendo a safra passada.
O mercado também especula que a China possa redirecionar parte da demanda para o milho, cujos preços internos atingiram máximas de vários meses.
O economista agrícola Michael Cordonnier, especializado em América do Sul e referência em projeções de safra, estimou para a produção brasileira de soja em 2025/26 em 178 milhões de toneladas. A projeção considera chuvas excessivas na região central do país e a continuidade da seca em áreas do Rio Grande do Sul.
Para a Argentina, o analista manteve a estimativa em 47 milhões de toneladas, mas adotou postura neutra a conservadora após danos registrados por ventos fortes e granizo em diversas regiões produtoras.
No mercado europeu, as importações de soja da União Europeia na safra 2025/26, iniciada em julho, somaram 8,11 milhões de toneladas até 22 de fevereiro, queda de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Comissão Europeia.
Milho
No mercado futuro do milho, os contratos encerraram a sessão com leves ganhos na Bolsa de Chicago. O vencimento março avançou 0,06%, fechando a US$ 4,2775 por bushel.
Os investidores seguem atentos às discussões sobre o E-15 nos Estados Unidos, uma mistura que contém 15% de etanol na gasolina. O Conselho de Energia Doméstica Rural, criado recentemente para avaliar a viabilidade do uso do E-15 durante todo o ano e propor legislação específica, perdeu o prazo para apresentar o projeto à Câmara dos Representantes. Além disso, ainda não há definição sobre como o tema será conduzido nos próximos dias.
Defensores da medida temem que, mais uma vez, o E-15 não obtenha aprovação permanente e continue dependendo de autorizações temporárias da EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos).
De acordo com a Renewable Fuels Association, a liberação do E-15 ao longo de todo o ano poderia elevar gradualmente a demanda por milho em cerca de 63,5 milhões de toneladas adicionais, sobre as 142,25 milhões de toneladas atualmente projetadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) para a safra 2025/26.
No cenário brasileiro, a ANEC (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) estima que as exportações de milho em fevereiro alcancem 1,13 milhão de toneladas, praticamente estáveis em relação às 1,12 milhão de toneladas previstas na semana anterior.
Trigo
No mercado de trigo, o contrato com vencimento em maio recuou 0,35%, encerrando o dia cotado a US$ 5,6750 por bushel na Bolsa de Chicago.
Segundo a Granar, os futuros registraram nova queda, em movimento de realização de lucros após os ganhos expressivos acumulados nas duas semanas anteriores.
Já a TradingView aponta que a previsão climática indica precipitações limitadas nas Planícies do Sul dos Estados Unidos na próxima semana, com volumes que variam de chuvas esparsas até 5 centímetros em áreas da região produtora de trigo SRW (Soft Red Winter).
No cenário internacional, as exportações de trigo mole da União Europeia somaram 15,38 milhões de toneladas entre 1º de julho e 22 de fevereiro, conforme dados da Comissão Europeia — volume 1,36 milhão de toneladas superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A Argélia também realizou uma compra de trigo em leilão nesta terça-feira, embora os volumes negociados ainda não tenham sido divulgados.
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Fonte : CNN