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A Multiplica Crédito e Investimento decidiu entrar no segmento de armazenagem de grãos e investe na conclusão de uma unidade em Sinop, com capacidade prevista de 2 milhões de sacas até o fim de 2026. O projeto, que deve consumir cerca de R$ 80 milhões, integra a estratégia da gestora de ampliar a atuação no agronegócio combinando infraestrutura logística e operações de crédito. 

A iniciativa ocorre em um momento em que o país enfrenta um déficit estrutural de armazenagem. Reportagem recente da CNN Brasil mostra que o Brasil tem um déficit estimado em 134,1 milhões de toneladas de capacidade estática, enquanto a projeção para a safra 2025/26 aponta novo recorde de produção 

Segundo Elisângela Lopes, assessora técnica de infraestrutura da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), o país consegue armazenar hoje 61,7% do volume colhido, percentual abaixo do considerado adequado para equilibrar o fluxo logístico e reduzir pressão sobre transporte e preços. 

No Centro-Oeste, onde se concentra a produção de soja e milho, o descompasso é ainda mais evidente. Em Mato Grosso, maior produtor nacional, a capacidade instalada não acompanha o avanço da área plantada e da produtividade, o que leva produtores a recorrerem a soluções emergenciais, como silo-bolsa ou manutenção do grão em caminhões durante picos de colheita. O resultado é maior custo de frete, pressão sobre margens e necessidade de venda antecipada da produção. 

É nesse contexto que a Multiplica estruturou o fundo Granário, dedicado à armazenagem. A unidade em Sinop — que já recebeu cerca de R$ 30 milhões e deve demandar outros R$ 50 milhões para conclusão — começa a operar em março de 2026 com 500 mil sacas de capacidade. Em julho, dobra para 1 milhão de sacas e, até dezembro, alcança 2 milhões, tornando-se a maior operação do grupo. 

Segundo Eduardo Barbosa, fundador e CEO da Multiplica, a estratégia vai além da receita logística. “Operar o silo não é o nosso core, mas é uma ferramenta para estruturar crédito com mais segurança”, afirma ele que vem de uma família de produtores rurais. 

A empresa pretende atuar como fiel depositária da soja armazenada, permitindo que o produtor obtenha antecipação de recursos sem necessidade de fixar preço imediatamente após a colheita. 

Expectativa 

A expectativa para o ciclo 2026/27 é realizar dois giros de soja por ano e um giro na safrinha de milho, padrão considerado compatível com a dinâmica regional. A operação pode movimentar entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões em fluxos ligados à soja, além de gerar entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões em operações de crédito associadas. 

A companhia estuda ainda quatro novas áreas em Mato Grosso e uma na região do Matopiba (confluência entre Maranhão, Tocantins, Piaiu e Maranhão), cada uma com capacidade aproximada de 1 milhão de sacas, além de avaliar ativos em regiões portuárias. No horizonte de três a cinco anos, o plano é alcançar até 10 milhões de sacas de capacidade instalada. 

Com três FIDCs — entre eles o Multiagro, com cerca de R$ 1 bilhão — e atuação também em private equity, a Multiplica projeta faturamento de R$ 1,2 bilhão em 2025 e carteira de crédito de R$ 7,2 bilhões, sendo entre 55% e 60% concentrados na agroindústria. 

“Não vamos deixar de atuar no agro por causa do ciclo atual. O setor representa parcela relevante da economia e os investimentos em infraestrutura tendem a ganhar valor nos próximos anos”, diz Francisco Zamith, head de agrobusiness em novo negócios da Multiplica e também filho e neto de produtores e pecuristas.  

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Fonte : CNN

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