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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará o tradicional discurso sobre o Estado da União ao Congresso nesta terça-feira (24), em um momento delicado para sua Presidência.

A fala acontece enquanto seus índices de aprovação estão em queda, existem crescentes preocupações com o Irã e os americanos enfrentam dificuldades com o custo de vida à medida que as eleições de meio de mandato de novembro se aproximam.

O discurso televisionado em horário nobre ao Congresso, o segundo em 13 meses desde que ele retornou à Casa Branca, oferece a Trump a oportunidade de persuadir os eleitores a manter os republicanos no poder. Mas ocorre em meio a fortes ventos contrários políticos internos e externos.

A aparição ocorre após alguns dias turbulentos para seu governo, incluindo uma decisão da Suprema Corte que invalidou seu regime de tarifas globais e novos dados mostrando que a economia desacelerou mais do que o esperado, enquanto a inflação acelerou.

O Departamento de Segurança Interna está praticamente paralisado devido a uma disputa entre republicanos e democratas no Congresso sobre as táticas agressivas de imigração do governo, após o assassinato de dois cidadãos americanos em Minneapolis.

Enquanto isso, Trump tem lutado para superar o escândalo envolvendo a divulgação, pelo governo, de arquivos relacionados ao criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.

O presidente americano, que já demonstrou abertamente seu desejo de ganhar o Prêmio Nobel da Paz e criou seu próprio “Conselho da Paz”, parece estar se aproximando cada vez mais de um conflito militar com o Irã devido ao programa nuclear do país.

Ele deslocou navios de guerra para o Oriente Médio e desenvolveu planos que podem incluir uma mudança de governo, segundo autoridades americanas.

Argumento público contra o Irã 

O discurso desta terça-feira pode oferecer a Trump a oportunidade de apresentar, pela primeira vez publicamente, um argumento a favor da intervenção militar no Irã.

Dois funcionários da Casa Branca, falando sob condição de anonimato, disseram que o presidente discutirá seus planos para o Irã, mas não deram detalhes.

Ele também destacará seu histórico de intermediação de acordos de paz, informaram eles. O discurso acontecerá no quarto aniversário da invasão da Ucrânia pela Rússia, um lembrete de que ele ainda não resolveu a guerra que certa vez disse que poderia terminar “em 24 horas”.

Espera-se que o presidente aborde a decisão da Suprema Corte sobre as tarifas, argumentando que o tribunal errou e delineando leis alternativas que ele pode usar para reconstituir a maior parte das taxas.

Trump reagiu com fúria à decisão da semana passada, atacando pessoalmente vários juízes. Uma repetição desse episódio nesta terça-feira (24) poderia gerar momentos constrangedores; espera-se que pelo menos alguns dos nove juízes da Suprema Corte compareçam.

Assessores da Casa Branca e da campanha republicana, de olho nas desafiadoras eleições legislativas de meio de mandato, têm pressionado Trump a se concentrar nas preocupações econômicas dos americanos.

A vitória de Trump nas eleições de 2024 foi baseada, em grande parte, em suas promessas de reduzir o custo de vida, mas as pesquisas de opinião mostram que os eleitores não estão convencidos por seus esforços até o momento.

O líder americano tem tido dificuldades para manter o foco em sua mensagem, desviando-se, em discursos públicos, da economia para sua longa lista de queixas, enquanto em outros momentos declara já ter resolvido o problema.

Um dos funcionários do governo Trump disse que o presidente “afirmará ter vencido na economia”, uma mensagem que os legisladores republicanos que concorrem à reeleição provavelmente não receberão bem.

Ele argumentará que herdou uma economia fraca de seu antecessor democrata, Joe Biden, e que os democratas exageraram as preocupações com a acessibilidade financeira, disseram as duas fontes.

Ele também apontará para os ganhos do mercado de ações, os investimentos do setor privado e sua legislação de corte de impostos como prova de que ajudou a economia, afirmaram os funcionários.

O presidente também destacará suas políticas rígidas de fronteira e sua campanha de deportação, apesar das pesquisas mostrarem que a maioria dos americanos acredita que seu governo foi longe demais na prisão de imigrantes indocumentados.

“Esta é a única oportunidade que o presidente tem em que o mundo inteiro está observando o que ele tem a dizer, e esta é a sua chance de resumir tudo o que fez e não se desviar do roteiro”, explicou Amanda Makki, estrategista republicana e ex-candidata ao Congresso pela Flórida.

Trump, que tem propensão para improvisar, disse na segunda-feira (23) que seu discurso seria longo. A fala dele de 100 minutos, em março do ano passado — tecnicamente não um discurso sobre o Estado da União, mas semelhante em outros aspectos — foi o discurso presidencial mais longo ao Congresso na história moderna.

Autoridades da Casa Branca disseram que a edição deste ano foi elaborada com espaço para momentos não roteirizados.

“Estamos nos preparando levando isso em consideração”, enfatizou uma autoridade.

Alguns democratas decidiram não comparecer 

No ano passado, alguns democratas interromperam o discurso de Trump com vaias antes de se retirarem em protesto. Desta vez, mais de 20 democratas na Câmara dos Representantes e no Senado planejam boicotar o discurso, optando por um comício ao ar livre no National Mall.

O senador Jeff Merkley, do Oregon, um desses democratas, disse a repórteres na segunda-feira que o evento ofereceria uma descrição mais “honesta” do histórico de Trump, em vez da “propaganda” do discurso.

A governadora da Virgínia, Abby Spanberger, cuja vitória decisiva em novembro foi vista como um sinal de alerta precoce para os republicanos nas eleições de meio de mandato, fará o discurso oficial de resposta dos democratas.

O senador democrata Alex Padilla, da Califórnia, que foi empurrado ao chão e algemado no ano passado após tentar fazer uma pergunta à secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, em uma coletiva de imprensa, fará a réplica em espanhol.

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Fonte : CNN

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