Oito anos após o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, o caso chega a uma nova etapa no STF (Supremo Tribunal Federal). A Primeira Turma da Corte começa a julgar, na terça-feira (24), os cinco acusados de mandar matar a parlamentar em 14 de março de 2018.
Em 2019, os ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio Queiroz foram presos por efetuarem os disparos que mataram Marielle e Anderson. Eles confessaram o crime e foram condenados a 78 anos e 9 meses de prisão, e 59 anos e 8 meses, respectivamente. A seguir, relembre um dos casos criminais mais emblemáticos da história recente do país.
O dia do crime
De acordo com o inquérito policial, a ação que resultou no assassinato da vereadora e do motorista foi iniciada no dia 14 de março de 2018, ao meio-dia, quando Ronnie Lessa convidou Élcio para sua casa, no condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro.
No local, Élcio observou a movimentação de Ronnie com uma bolsa preta. Os dois entraram em um carro modelo Chevrolet Cobalt prata e seguiram caminho para o bairro da Lapa, onde Marielle participava de um evento com o nome “Mulheres negras movendo estruturas”
Ronnie e Élcio aguardaram a saída da vereadora, que estava acompanhada do motorista Anderson Gomes. Ambos os carros se deslocaram saindo da região
Os criminosos seguiram o carro da vereadora até determinado ponto do bairro, emparelhando os veículos, quando Ronnie Lessa atirou 13 vezes contra o carro de Marielle.
Por volta das 21h, Marielle foi alvejada com quatro tiros na cabeça e Anderson, por três. Os dois morreram no local. Uma terceira pessoa, Fernanda Chaves, assessora de Marielle, não foi atingida, mas se feriu com os estilhaços.
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Após cometerem o crime, Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz fugiram pelo acesso à Avenida Brasil, rumo ao Méier, usando a Linha Amarela como rota de conexão.
No bairro da zona norte, encontraram-se com o irmão de Ronnie, Denis, e entregaram equipamentos e a arma do crime. Logo depois, o irmão do assassino chamou um táxi para os criminosos, que se deslocaram para a casa de Lessa, onde religaram seus celulares e foram para um bar na Barra da Tijuca.
Quem mandou matar Marielle?
Em março do ano passado, a Polícia Federal prendeu três suspeitos de serem os mandantes dos assassinatos.
Os presos foram Domingos Brazão, então conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Chiquinho Brazão, então deputado federal do Rio de Janeiro, e Rivaldo Barbosa, ex-chefe de Polícia Civil do Rio.
No dia das prisões, o ministro da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Ricardo Lewandowski, afirmou que o motivo da execução está relacionado à atuação da milícia na disputa por terras no Rio de Janeiro.
Julgamento no STF
A denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) foi recebida em junho de 2024. Os réus respondem por homicídio qualificado e por tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu ao atentado. Três deles também são acusados de integrar organização criminosa.
Agora, a Primeira Turma do STF vai decidir pela condenação ou absolvição dos acusados. Todos já estão presos preventivamente. Eles negam as acusações e afirmam que são vítimas de injustiça
Veja quem são os acusados e o que a investigação atribui a cada um:
Domingos Brazão: Segundo a PGR, ele foi um dos mandantes do assassinato. A acusação sustenta que Domingos, ao lado do irmão, teria determinado a execução de Marielle por interesses econômicos ligados à regularização fundiária em áreas da zona oeste do Rio
Chiquinho Brazão: A PGR aponta que ele também atuou como mandante do assassinato, em razão de embates políticos com Marielle sobre projetos de regularização urbana e uso do solo.
Rivaldo Barbosa: Segundo a denúncia, ele teria participado do planejamento ao oferecer garantia de impunidade aos mandantes.
Ronald Paulo de Alves Pereira: A acusação afirma que Ronald monitorou a rotina de Marielle e forneceu informações aos executores sobre deslocamentos e compromissos da vereadora nos dias que antecederam o crime.
Robson Calixto Fonseca (“Peixe”): Segundo a denúncia, ele era homem de confiança de Domingos e atuava em atividades relacionadas à exploração imobiliária irregular em áreas sob influência de milícias. Ele responde por organização criminosa, mas não é acusado de ter participado diretamente da execução.
(Com informações de Fernanda Fonseca, da CNN Brasil)
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Fonte : CNN