As exportações do agronegócio paulista à China – principal compradora do setor – subiram 16,7% em 2025 e atingiram a marca de US$ 6,8 bilhões, segundo dados adiantados ao CNN Money pelo IEA-APTA (Instituto de Economia Agrícola) da SAA (Secretaria de Agricultura e Abastecimento) de São Paulo.
Na balança comercial, o mercado chinês ficou à frente dos países da União Europeia (US$ 4,1 bilhões); os Estados Unidos (US$ 3,5 bilhões) e a Índia (US$ 904,4 milhões). Atualmente, a China representa quase um quarto das vendas agropecuárias do Brasil.
Para o secretário da SAA, Geraldo Melo Filho, os dados reforçam a inserção do agro paulista no mercado internacional, além do peso da China como parceira comercial
“Quando analisamos os principais produtos da nossa pauta de exportação, ela aparece como o principal destino em todos eles. O desafio agora é continuar abrindo novos mercados para consolidar relações comerciais e ampliar ainda mais a presença do agro paulista no cenário global”, ressalta a autoridade.
Principais exportações
Dos produtos agrícolas de SP exportados à China, destacam-se:
- Carne: US$ 2 bilhões;
- Complexo de soja: US$ 1,6 bilhão;
- Complexo sucroalcooleiro: US$ 1,2 bilhão.
Para o diretor da APTA (Diretoria de Pesquisa do Agronegócios) da SAA, Carlos Nabil, as cifras ressaltam que o país asiático “é um parceiro muito estratégico para o agro paulista”.
O resultado positivo para o setor de carnes veio apesar de um ano turbulento, como destaca Roberto Perosa, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).
“Mesmo com um cenário mais desafiador, marcado por questões geopolíticas e pela menor produção de carne em vários países, a carne bovina brasileira, hoje, chega a 177 países, o que ajuda a sustentar o ritmo dos embarques e a presença do produto nos principais mercados”, pontua.
Café
Outro destaque do ano foi o café. Apesar de ser uma nação consumidora de chá, as exportações de café colocaram a China entre os 10 maiores clientes do produto em 2025.
“Em breve, o país se consolidará como um dos principais clientes nos próximos anos, devido ao aumento do consumo per capita que saiu de 4 a 5 xícaras em 2020 para 16 a 22 xícaras em 2025”, segundo o pesquisador do IEA, Celso Vegro.
O setor vê na China um mercado estratégico, com “expressivo potencial de crescimento no consumo de café”, segundo Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).
“A bebida vem conquistando cada vez mais espaço, inicialmente, entre os jovens, mas também, em outras faixas etárias atualmente, englobando chineses adeptos a um estilo de vida urbano e interessados em novidades, sendo associada a conveniência, socialização e status”, pondera o diretor do Cecafé.
Em agosto passado, a Embaixada da China no Brasil anunciou que 183 novas empresas brasileiras de café foram habilitadas para exportar ao mercado chinês. Poucos dias depois, o órgão fez uma publicação elogiando “o queridíssimo café brasileiro”.
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Fonte : CNN