A morte de Nemesio “El Mencho” Oseguera Cervantes, narcotraficante mais procurado do México, no último domingo (22), desencadeou uma onda de violência por todo o país que já vitimou 25 membros da Guarda Nacional mexicana, segundo informações do governo. O impacto desse acontecimento pode gerar ainda mais instabilidade na região e dividir o crime, gerando um vácuo de poder, conforme explicou Marcela Franzoni, professora de Relações Internacionais, em entrevista ao CNN 360°.
De acordo com Franzoni, a eliminação do líder do Cartel Jalisco Nova Geração representa um golpe duro para o crime organizado mexicano, mas também pode resultar em consequências graves para a segurança pública.
“Deve haver uma fragmentação no próprio cartel e também nesses outros cartéis, que podem eventualmente aumentar a disputa na região de Jalisco e simultaneamente aumentar a violência no país por essas disputas de território e por esse vácuo de liderança que vai ser deixado no México”, explicou.
Pressão política e resposta do governo mexicano
Franzoni destacou que o governo mexicano vinha sofrendo forte pressão da sociedade civil, da imprensa e de diversos setores para implementar uma política mais eficaz de combate ao narcotráfico. Nos últimos anos, o México atingiu picos de violência, mesmo com a mobilização de efetivos federais e das Forças Armadas no combate ao crime organizado.
A operação que resultou na morte de “El Mencho” foi conduzida inteiramente pelas autoridades mexicanas, como fez questão de ressaltar a presidente do México, embora tenha ocorrido troca de informações com autoridades dos Estados Unidos. Segundo a especialista, essa ênfase na autonomia da ação tem um significado político importante: “Essa resposta foi uma resposta direta ao presidente Trump, basicamente para que o México tente mostrar que o país está trabalhando em uma estratégia de combate ao crime organizado e diminua possíveis ímpetos de intervenção por parte dos Estados Unidos no México”.
Desafios para o controle territorial
O episódio evidencia um problema crônico no México: a existência de regiões que não são efetivamente controladas pelo poder público. “O problema do narcotráfico do México é um problema muito antigo, há pelo menos duas décadas. O país tem uma estratégia de combate ao crime organizado with o uso de tropas federais”, afirmou Franzoni.
A especialista ressalta que, além da violência contra o próprio Estado, é possível observar um aumento dos confrontos entre os próprios cartéis. Com o vácuo de poder deixado pela morte de “El Mencho”, outras organizações criminosas provavelmente tentarão expandir sua influência e ocupar parte do mercado controlado pelo Cartel Jalisco Nova Geração, tanto no México quanto nos Estados Unidos.
Necessidade de políticas públicas abrangentes
Franzoni alertou que, apesar de representar um golpe significativo contra o cartel de Jalisco, a morte do líder não elimina a necessidade de uma estratégia mais robusta de combate ao narcotráfico. “É importante que tenham também políticas federais de outros níveis, até de promoção do desenvolvimento que não passa só pelas forças armadas, mas que passa por um processo de retomada desse território, inclusive com políticas públicas”, defendeu.
Segundo a professora, muitos dos territórios ocupados por organizações criminosas apresentam carências significativas do ponto de vista do desenvolvimento socioeconômico. Uma abordagem mais eficaz exigiria não apenas ações de segurança pública, mas também investimentos sociais para reduzir a vulnerabilidade dessas regiões à influência do crime organizado.
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Fonte : CNN