O governo federal conseguiu inserir em mais um documento oficial sua estratégia de agregação de valor no setor mineral e de maior protagonismo nas cadeias produtivas globais.
Na avaliação de integrantes da indústria mineral que acompanham as negociações com governos estrangeiros, a menção aos minerais críticos no acordo com a Coreia do Sul também tem caráter político e diplomático e serve para sinalizar a posição brasileira às grandes potências.
O Brasil assinou, nesta segunda-feira (23), um acordo amplo de cooperação em comércio e integração produtiva com a Coreia do Sul, no qual os minerais críticos receberam destaque.
Embora não seja um memorando específico para o setor mineral, como os firmados recentemente com Índia e Arábia Saudita, o acordo inclui os minerais em um contexto de agregação de valor e integração de cadeias produtivas tecnológicas avançadas.
O documento menciona explicitamente os minerais críticos em diferentes trechos, com foco na integração industrial e no fortalecimento das cadeias produtivas.
Na prática, esse tipo de cooperação pode envolver desde projetos conjuntos de exploração e processamento mineral até iniciativas de refino químico, desenvolvimento tecnológico e fornecimento de insumos para setores industriais como baterias, eletrônicos e veículos elétricos.
A Coreia do Sul é um dos principais polos industriais nessas áreas e depende fortemente de importações de minerais estratégicos, grande parte deles produzidos na China.
Internamente, integrantes do governo reconhecem que avançar para as etapas mais complexas da cadeia, como a fabricação de ímãs permanentes, ainda é um objetivo distante. Essas fases exigem tecnologia avançada, escala industrial e investimentos bilionários.
Ainda assim, há espaço para que o país avance em etapas intermediárias, especialmente no refino químico e na separação dos elementos individuais de terras raras, processos que transformam o minério extraído em produtos industriais de maior valor agregado.
Estratégia do governo
A estratégia do governo brasileiro tem sido buscar aproximação com países emergentes que possuem tecnologia avançada ou capacidade industrial relevante para sinalizar às grandes potências que o país pretende avançar em etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva e reduzir a dependência da exportação de matéria-prima bruta.
Na avaliação do setor produtivo, o governo federal tem usado os minerais críticos como instrumento político e diplomático e aproveitado agendas na Ásia para sinalizar posições às grandes potências.
A leitura é que essas iniciativas funcionam como recados indiretos a Estados Unidos, Europa e China, indicando que o Brasil pretende ampliar seu papel nas fases mais lucrativas da indústria mineral.
Essa aproximação também é vista como forma de reforçar o poder de negociação brasileiro com as grandes economias que concentram tecnologia e capital.
O governo mantém conversas com esses países e tem elevado o nível de exigência nas negociações, com foco em transferência de tecnologia e instalação de etapas industriais no Brasil.
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Fonte : CNN