O campeão mundial Yago Dora e outros surfistas de elite criticaram a entidade olímpica do esporte por mudanças no sistema de classificação para os Jogos de Los Angeles 2028, afirmando que o novo modelo é falho e que suas preocupações foram ignoradas.
Pelas alterações anunciadas na semana passada pela International Surfing Association (ISA) — Associação Internacional de Surfe —, o número de surfistas classificados para LA28 a partir do circuito mundial da World Surf League (WSL) cairá de 20 para 10.
“Não queremos um caminho mais fácil para nos classificar do que o resto dos surfistas”, disse o brasileiro à Reuters, em entrevista concedida no domingo, no Havaí.
“Queríamos apenas que fosse justo e garantir que os melhores surfistas estejam representando seus países nos Jogos Olímpicos”.
Um total de 20 surfistas — 10 de cada gênero — se classificará por meio dos World Surfing Games 2028 da ISA, mantendo-se inalterado o total de 48 atletas no torneio olímpico.
A maioria dos atletas restantes garantirá vaga por meio de eventos regionais pontuais organizados pela ISA, com o número máximo de surfistas por país aumentando de dois para três.
Apenas um homem e uma mulher por país serão selecionados a partir do circuito profissional, redução em relação aos dois atletas por gênero permitidos nos Jogos de Tóquio 2020 e Paris 2024.
As seleções via circuito mundial ocorrerão em junho de 2028, ainda no início daquela temporada, o que significa que os campeões mundiais de 2027 podem ficar fora do principal evento do esporte.
“As Olimpíadas são o maior evento único do surfe profissional, e não seria desejável que os melhores surfistas tivessem a melhor chance de se classificar?”, escreveu nas redes sociais o surfista italiano Leonardo Fioravanti, atleta olímpico e do circuito mundial.
“A proposta aprovada hoje sequer garante a participação do campeão mundial de 2027 nos Jogos”.
Yago Dora afirmou que os surfistas do tour deram um retorno inicial e esperavam chegar a algum tipo de compromisso com a ISA, mas que a entidade organizadora “sumiu” e seguiu adiante com as mudanças.
Mais possibilidades
O diretor-executivo da ISA, Robert Fasulo, afirmou que foram realizadas longas consultas com múltiplas partes interessadas, incluindo a WSL e federações nacionais, além da participação ativa de um surfista do circuito mundial no conselho que contribuiu para o sistema atualizado de classificação.
Segundo Fasulo, os principais surfistas e as nações mais fortes no surfe terão mais oportunidades de classificação com o novo modelo, ao mesmo tempo em que se preserva o valor olímpico central da universalidade.
“Na verdade, há mais potencial com o aumento de dois para três atletas por país”, disse Fasulo por e-mail, em resposta a questionamentos. “Existem mais caminhos no novo sistema. Não podemos esquecer que o campeão olímpico masculino de 2024 e o medalhista de bronze se classificaram pelos Jogos Mundiais de Surfe da ISA”.
O taitiano Kauli Vaast, competindo pela França, conquistou o ouro em casa, na mítica onda de Teahupo’o. Já o brasileiro Gabriel Medina, tricampeão mundial, terminou com o bronze após garantir a vaga olímpica da ISA no último momento, em Porto Rico.
Dora disse que uma das principais preocupações é o momento da seleção dos surfistas do circuito, que ocorrerá após apenas quatro etapas em 2028, sendo três delas programadas para a Austrália.
“Se eles vão distribuir essas cinco vagas, deveriam fazê-lo da forma mais justa possível — o que seria considerar todo o ano de 2027”, afirmou, destacando a consistência exigida no circuito mundial e o caráter imprevisível de muitas competições pontuais de surfe.
A presidente da comissão de atletas da ISA, Justine Dupont, disse que o novo sistema devolve mais força às federações nacionais e ainda permite que os surfistas busquem a classificação tanto pelo circuito profissional quanto pelos eventos da ISA.
“É difícil agradar a todos, mas considero o novo sistema mais apropriado”, afirmou.
“Como fã do surfe, estou convencida de que veremos os melhores surfistas competindo nas ondas de Los Angeles 2028”.
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Fonte : CNN