O protecionismo agrícola do governo da Índia adiou acordos para a redução das tarifas de importação sobre a carne de frango e suco de laranja do Brasil.
Os dois governos vinham negociando o corte nas elevadas alíquotas sobre os dois produtos e havia uma expectativa de que um anúncio sobre isso pudesse ser feito ainda durante a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Nova Delhi.
A CNN apurou que o próprio Lula chegou a conversar sobre o assunto com o primeiro-ministro Narendra Modi durante a reunião bilateral dos dois neste sábado (21). Os indianos, no entanto, pediram um adiamento da discussão.
O mercado para exportação de frango para a Índia é aberto, mas o produto sofre com uma tarifa de 100%, o que inviabiliza na prática o negócio. No caso do suco de laranja, a alíquota chega a 35%.
Durante as negociações, os indianos indicaram que as chances de redução são maiores no caso do suco de laranja. Isso indica que um acordo pode sair em breve. Com o crescimento da economia no país, a população indiana passou a consumir muito mais sucos, mas a produção local não consegue abastecer totalmente o mercado.
Abertura de mercado
Por outro lado, as negociações para abertura de mercado do feijão-guandu e da erva mate evoluíram muito na viagem. O ministro Carlos Fávaro disse à CNN que essas tratativas estão maduras e que faltam apenas detalhes técnicos para um acordo.
A Índia está entre os maiores consumidores mundiais de leguminosas. Em 2024, o país importou quase 6 milhões de toneladas desses produtos, movimentando US$ 4,3 bilhões. Não há dados confirmados para 2025.
Do total adquirido em 2024, 1,3 milhão de toneladas corresponderam ao guandu, leguminosa utilizada no preparo de sopas e consumida com arroz ou pão.
O Brasil não exportou guandu para o mercado indiano em 2024, mas enviou 162,4 mil toneladas de feijões, principalmente da variedade mungo-preto.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro dos Feijões e Pulses (Ibrafe), o Brasil deve exportar cerca de 420 mil toneladas de feijões em 2026 para todos os destinos, volume aproximadamente 20% inferior às 527,5 mil toneladas projetadas para 2025.
Protecionismo
A Índia é um país que protege muito o seu agronegócio, que tem um peso político muito importante para o governo.
Quase metade da população do país, de 1.4 bilhão de pessoas, depende da agricultura. Em sua grande maioria, trabalhando em micro ou pequenas propriedades.
Até o governo dos Estados Unidos tentou incluir vários produtos agrícolas nas negociações do acordo recente que levou à redução das tarifas extras de 50% impostas aos produtos indianos, sem o sucesso pretendido.
Agenda bilateral no setor agropecuário
Durante painel no India-Brazil Business Forum, o ministro Carlos Fávaro afirmou que os dois países iniciam uma nova etapa de cooperação estratégica e citou oportunidades para ampliar o comércio bilateral, os investimentos e a inovação tecnológica no setor agropecuário.
Fávaro afirmou que Brasil e Índia mantêm compromisso com desenvolvimento sustentável, segurança alimentar e estabilidade global. Também citou a produção brasileira de carne de frango e a qualidade de feijões e pulses como segmentos com potencial de cooperação entre os dois mercados.
Ao tratar das perspectivas comerciais, o ministro defendeu a ampliação do intercâmbio com base na reciprocidade e afirmou que o equilíbrio nas relações comerciais é um fator essencial para a expansão das trocas.
Ele também mencionou possibilidades de cooperação em inovação, como desenvolvimento de produtos biológicos, parcerias em agricultura regenerativa, atração de investimentos e ampliação da presença de empresas brasileiras na Índia, especialmente no processamento de alimentos. Segundo o ministro, há ainda interesse de empresas indianas em investir no Brasil nas áreas de tecnologia, inteligência artificial e bioinsumos.
Em 2025, a Índia foi o quinto maior parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio de US$ 15,2 bilhões. Ao final da participação no fórum, Fávaro afirmou que o Brasil mantém compromisso com previsibilidade regulatória e ambiente para investimentos de longo prazo.
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Fonte : CNN