A primeira-dama Janja da Silva usou um voo da FAB (Força Aérea Brasileira) para ir de Brasília ao Rio de Janeiro em uma agenda oficial junto com ministras.
A viagem ao Rio incluiu uma visita ao barracão da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Marquês de Sapucaí no último domingo (15).
A visita ocorreu no dia 6 de outubro do ano passado. Na agenda oficial consta que Janja foi à capital fluminense participar de um evento do Ministério da Ciência e Tecnologia, junto com a ministra Luciana Santos, que solicitou o voo da FAB. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, também acompanhou as agendas.
Acompanharam a primeira-dama a sua assessora de imprensa, Taynara Pretto; o fotógrafo Cláudio Adão dos Santos; o ajudante de ordens, Edson Antônio Moura Pinto; e as assessoras Julia Camilo Fernandes Silva e Carla Costa Alves. Todos estão lotados no gabinete pessoal do presidente da República.
Por decreto, não é ilegal Janja embarcar na aeronave, já que o voo levava ministras de Estado.
Ao justificar o voo, a pasta da Ciência e Tecnologia cita apenas a conferência sobre oceanos. No documento enviado à FAB, não há referências sobre a visita ao barracão.
O decreto de 2020, assinado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determina que a autoridade deve comprovar o motivo da viagem e registrar as datas, horários e quem vai acompanhá-la.
“Ficarão a cargo da autoridade solicitante os critérios de preenchimento das vagas remanescentes na aeronave, quando existirem vagas disponíveis além daquelas ocupadas pelas autoridades que compartilharem o voo e por suas comitivas”, diz o texto.
A CNN Brasil procurou a assessoria da primeira-dama para pedir esclarecimentos e aguarda retorno.
Desfile
A Acadêmicos de Niterói chegou ao Grupo Especial do Carnaval do Rio neste ano. A escola teve a missão de abrir os desfiles com o enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, utilizando a simbologia da resistência nordestina para narrar a trajetória do presidente.
Ficou em último lugar e voltou à Série Ouro, a segunda divisão do Carnaval.
Antes mesmo do desfile, o enredo escolhido virou polêmica nas redes sociais.
O governo federal negou qualquer interferência no desenvolvimento ou na escolha da história contada no desfile.
Em nota produzida antes da apresentação, a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) também informou que não havia qualquer decisão judicial que impedisse a realização do desfile.
“Da mesma forma, não houve qualquer ingerência do governo na escolha e no desenvolvimento do enredo citado ou de qualquer outra escola”, diz o comunicado.
O governo acrescentou que a AGU (Advocacia-Geral da União) sugeriu manifestação da Comissão de Ética da Presidência da República, que emitiu orientações de conduta para autoridades federais.
“Essas orientações incluem a proibição de recebimento de convites de pessoas jurídicas com fins lucrativos que configurem conflito de interesse com a administração pública, o recebimento de diárias e passagens e a não realização de manifestações que caracterizem propaganda eleitoral antecipada”, afirma a nota.
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Fonte : CNN