A disputa entre OpenAI e Anthropic chegou a um novo patamar de tensão durante a Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial em Nova Délhi, na Índia.
O evento, que se encerrou nesta sexta-feira (20), foi palco de um episódio embaraçoso que simboliza a atual “Guerra Fria” do setor: enquanto líderes globais e CEOs de gigantes como Google e Microsoft deram as mãos em um gesto de cordialidade para fotos oficiais, Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, recusaram o contato físico, mantendo apenas os punhos cerrados ao ar.
O gesto, marcado pelo distanciamento físico das mãos, reflete uma rivalidade marcada por divergências ideológicas e que se estende para uma competição comercial de ânimos cada vez mais acirrados.
Guerra Fria no Vale do Silício: o conflito entre OpenAI e Anthropic
Diferente de outros embates históricos do Vale do Silício, onde empresas como Apple, Microsoft e Google alternam entre a competição e parcerias estratégicas para fornecimento de chips ou integração de sistemas, a relação entre OpenAI e Anthropic é de colisão direta.
Em meio aos desdobramentos do embate nem tão frio assim, vale lembrar que ambas as companhias oferecem produtos essencialmente parecidos — chatbots e modelos de linguagem avançados — e disputam o mesmo perfil de investidor em um mercado que exige aportes bilionários para sustentar o alto custo de processamento.
Vale lembrar ainda que a rixa tem raízes profundas, já que os fundadores da Anthropic são ex-funcionários da OpenAI descontentes com o ritmo de desenvolvimento e da abordagem de segurança adotados pela criadora do ChatGPT.
O especialista em Inteligência Artificial e Machine Learning, Diego Nogare, contextualiza os bastidores do embate entre as duas companhias, que teve início ainda em 2022. “A briga da Anthropic e da OpenAI não é de agora. Mesmo com poucos meses de vida, a Anthropic levantou mais de US$550 Milhões para construir seus produtos, em 2022, e como este dinheiro de investimento precisa sair de algum lugar a OpenAI não gostou de ter ficado de fora desse recebimento”, destaca.
“Outra divergência de investimentos aconteceu em 2023, quando a Microsoft faz um aporte de US$10 bilhões na OpenAI enquanto a Anthropic recebeu um aporte mais modesto de “apenas” US$4 bilhões da AWS. Neste período, era comum encontrar os modelos da OpenAI oferecidos dentro do Azure como seu principal player de Cloud, enquanto a AWS fornecia principalmente o Claude em seu recém lançado produto, o AWS Bedrock. A AWS só conseguiu trazer, de fato, os modelos da OpenAI para o Bedrock em 2025″, completa Nogare.
Provocação no SuperBowl
Nas últimas semanas, essa tensão escalou para o campo publicitário. Durante o Super Bowl, a Anthropic veiculou um anúncio atacando a decisão da OpenAI de introduzir publicidade no ChatGPT, garantindo que o Claude permaneceria livre de anúncios. A estratégia gerou resultados imediatos, com um aumento de 6,5% na base de usuários da Anthropic, mas provocou uma reação ácida de Sam Altman.
Nas redes sociais, o CEO da OpenAI cl ssificou a propaganda como enganosa e rotulou o Claude como um produto voltado apenas para “pessoas ricas”, enquanto Amodei rebateu afirmando que não possui o objetivo de maximizar o engajamento de bilhões de usuários a qualquer custo.
Corrida pela liderança tecnológica
O embate também se estende ao domínio técnico, especialmente entre os desenvolvedores de software, que atualmente demonstram preferência por ferramentas como o Claude 4.6 Sonnet e o Claude Code. No entanto, a OpenAI recentemente conseguiu uma vitória estratégica ao contratar Peter Steinberger, criador do agente de IA OpenClaw.
O desenvolvedor estava em contato com a Anthropic, mas, após ser alvo de ameaças judiciais pela empresa de Amodei, acabou sendo recrutado por Altman.
Enquanto a OpenAI lança a plataforma Frontier para gerenciar agentes de IA e busca escala massiva, a Anthropic tenta consolidar sua imagem baseada na ética e na produtividade técnica, desenhando dois caminhos divergentes para o futuro da inteligência artificial.
Disputa no mercado de IA
Em 2024, a liderança dos benchmarcks (análise de mercado baseada na comparação entre empresas) de IA Generativa flutuavam entre a OpenAI com seus modelos da família GPT-4, e a Antrhopic com os modelos da Sonnet. Cada um com seu ponto forte para determinadas tarefas de geração original.
Naquele ano, ao comparar o GPT-4o com o Sonnet 3.5, o modelo da Anthropic foi superior em avaliações de Codificação e de Visão Computacional. Na comparação entre o1 e Sonnet 3.5, o modelo da OpenAI teve melhor pontuação de raciocínio lógico. Já em 2025, na comparação entre GPT-4.1 e Sonnet 4.5, o modelo da Anthropic voltou a pontuar melhor no trabalho de codificação.
No final de 2025 e começo de 2026, um ator externo, Peter Steinberger, não imaginaria que seria envolvido nessa briga pelas duas empresas.
De um lado estava a Anthropic, que enviou para Peter por meio de seus advogados, uma solicitação obrigando o desenvolvedor a trocar o nome de seu Agente de IA que se chamava ClawdBot porque havia uma certa similardidade fonética com o nome do Claude.
Então Peter trocou o nome do Agent para Moltbot. Do outro lado estava a OpenAI, que em uma movimentação de mestre enxadrista, contrata Peter para se juntar ao time e ajudar a acelerar os trabalhos de agentes da companha. Mesmo ator, mesmas empresas, mas comportamentos e ações completamente diferentes.
“Apesar de 2026 ainda estar no primeiro bimestre, o mundo da IA foi agitado para estas duas empresas. A OpenAI transformou em legado os modelos da família GPT-4, dando foco principal nos modelos da família GPT-5, inclusive com o lançamento do GPT-5.3-Codex. No outro lado da balança, a Anthropic conquistou um investimento de US$ 30 bilhões, como também anunciou o lançamento do Claude Opus 4.6 que superou o GPT-5.2 em diversos benchmarks profissionais, e o anuncio do Claude Sonnet 4.6… Podemos esperar um ano com muita agitação”, analisa Nogare.
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Fonte : CNN