O setor têxtil brasileiro aguarda definições do presidente Donald Trump sobre a política tarifária dos Estados Unidos e avalia a possibilidade de reembolso das sobretaxas aplicadas às exportações, que chegaram a superar 70% e tornaram o comércio praticamente inviável.
Em entrevista ao CNN Money, Fernando Pimentel, CEO da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil), afirmou que a expectativa é de que eventuais mudanças nas tarifas reduzam os custos e permitam a retomada gradual dos embarques ao mercado norte-americano.
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (20) que o presidente Donald Trump violou a lei federal ao impor unilateralmente tarifas abrangentes em todo o mundo. A decisão, considerada uma significativa derrota para o líder norte-americano no âmbito econômico e de política internacional, foi tomada por uma votação de 6 a 3.
Diante da decisão, a avaliação de Pimentel é de que ainda é cedo para análises mais profundas e que o impacto no setor não será imediato.
A indústria entende que o mundo vinha se ajustando a uma nova realidade tarifária norte-americana e, caso a decisão seja mantida, o fluxo global de comércio deverá passar por novo reposicionamento.
O executivo ressalta que os Estados Unidos são o quarto principal destino das exportações brasileiras do segmento e um mercado estratégico por pagar preços mais elevados, com produtos de maior valor agregado.
A eventual devolução de valores pagos com tarifas adicionais, por sua vez, tende a ser discutida principalmente dentro dos próprios Estados Unidos.
“Essa agenda deve ser conduzida pelas empresas que arcaram com o imposto e têm a documentação para questionar”, afirmou o CEO da Abit, acrescentando que disputas devem ocorrer em tribunais inferiores.
Para exportadores brasileiros, o impacto direto ainda é incerto e não há, por ora, recomendação de ações judiciais.
Logo após a decisão da Suprema Corte, Donald Trump anunciou uma nova taxa global de 10%. A tarifa será implementada com base em uma lei comercial conhecida como Seção 122, que autoriza o presidente a impor tarifas de até 15% por até 150 dias para corrigir desequilíbrios na balança de pagamentos ou restrições comerciais.
No cenário internacional, o setor têxtil vê pressão crescente de países asiáticos para escoar excedentes produtivos, ao mesmo tempo em que aposta na ampliação de acordos comerciais, como negociações com União Europeia, Canadá e Japão.
A estratégia inclui participação em feiras internacionais, missões empresariais e ações para ampliar competitividade. Ainda assim, a avaliação é de que fatores macroeconômicos, como juros elevados no Brasil, continuam limitando a capacidade de investimento e exportação das empresas.
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Fonte : CNN