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A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar o chamado “tarifaço”, implementado durante o governo de Donald Trump, altera o cenário tarifário aplicado a produtos importados, incluindo itens do agronegócio brasileiro.

Durante a vigência das sobretaxas, diferentes cadeias exportadoras registraram impactos em volumes embarcados, receita e competitividade no mercado norte-americano.

Abaixo, veja os principais produtos do agro afetados pela mudança nas tarifas dos EUA e a recepção de entidades do setor.

Café

A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) recebeu com otimismo a decisão da Justiça norte-americana.

Em nota, a entidade destacou que o posicionamento reforça a segurança jurídica, previsibilidade e respeito às regras comerciais internacionais, fatores considerados essenciais para uma cadeia global e altamente integrada como a do café.

“O setor do café é global e altamente integrado. Previsibilidade, isonomia e regras claras são fundamentais para garantir estabilidade, investimentos e proteção ao consumidor. Medidas unilaterais geram incertezas e impactos ao longo de toda a cadeia produtiva”, afirmou o presidente da Abic, Pavel Cardoso.

No comunicado, a Associação ressalta que medidas unilaterais tendem a gerar incertezas e impactos ao longo de toda a cadeia produtiva, afetando produtores, indústrias e mercados consumidores.

“A isonomia nas relações comerciais é condição essencial para assegurar competitividade e equilíbrio no comércio exterior”, destacou o texto da entidade, que defende livre comércio, diálogo entre nações e “parcerias equilibradas que promovam crescimento econômico e social” para beneficiar produtores, indústrias e consumidores.

Frutas

A Abrafrutas (Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados) afirma que a decisão da Suprema Corte representa um avanço em direção à previsibilidade e ao fortalecimento das relações comerciais com os EUA.

Durante o período do tarifaço, uva, melão e melancia ficaram fora da lista de isenções, e tiveram a competitividade no mercado norte-americano afetada. Assim, houve queda significativa nas exportações de uva, uma das frutas mais relevantes na pauta brasileira para os EUA.

A entidade afirma seguir atuando de forma técnica e diplomática para defender condições mais equilibradas de acesso ao mercado norte-americano.

“Reforçamos que estabilidade, segurança jurídica e regras claras são essenciais para que o comércio agrícola continue promovendo desenvolvimento, geração de renda no campo e segurança alimentar”, disse a entidade, em nota.

Carne bovina

A carne bovina foi um dos setores mais impactados pelas tarifas. Segundo levantamento da Scot Consultoria, entre agosto e novembro de 2025 o Brasil deixou de exportar cerca de 57,5 mil toneladas ao mercado norte-americano, com perda estimada em US$ 255 milhões no período.

Dados da Pine Agronegócio apontam que a receita total com vendas aos EUA somou US$ 37,716 bilhões em 2025, queda de aproximadamente 6,6% em relação a 2024. A redução foi de cerca de US$ 2,65 bilhões no comparativo anual.

Estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indica que aproximadamente 17 mil toneladas deixaram de ser embarcadas em 2025.

Apesar disso, dados da Agrifatto mostram que, no primeiro semestre de 2025,os EUA importaram 181 mil toneladas de carne bovina brasileira, 11,8% das exportações totais do Brasil, com receita de US$ 1,04 bilhão.

Para 2026, a expectativa é de crescimento nas vendas, especialmente diante do déficit de produção e dos preços elevados da carne bovina nos Estados Unidos.

Procuradas, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes e a Associação Brasileira de Proteína Animal informaram que não irão se posicionar no momento.

Mel

Segundo Renato Azevedo, presidente da Abemel (Associação Brasileira dos Exportadores de Mel), “para o setor apícola, a notícia não poderia ser melhor”. Em 2025 o Brasil enviou 29 mil toneladas de mel aos EUA, o equivalente a US$ 97 milhões em vendas.

“A queda nas tarifas de importação impostas pelo Presidente Trump trazem de volta a competitividade ao mel brasileiro, e nos coloca novamente numa posição de igualdade perante os concorrentes que temos”, disse Azevedo.

Segundo a Abemel, a expectation é de que as negociações de compra irão, aos poucos, destravar, com a retomada de contratos com clientes norte-americanos.

Pescado

De acordo com dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura, o Brasil exportou, em 2025, 29 mil toneladas de peixe aos Estados Unidos, com um total de US$ 175 milhões em valor negociado.

Madeira

Em 2025, o Brasil exportou aos EUA 1,4 milhão de toneladas de produtos do setor madeireiro, com US$ 1,4 bilhão em valor total, segundo o Agrostat.

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Fonte : CNN

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