A investigação sobre o vazamento de dados sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal e seus familiares tem gerado críticas dentro e fora da própria Corte. O caso, que culminou no afastamento de um servidor da Receita Federal, envolve o acesso irregular a informações da ex-enteada do ministro Gilmar Mendes. A análise é de Teo Cury, ao CNN Novo Dia.
“ex-enteada do ministro Gilmar Mendes teria os dados acessados por esse servidor, que acabou sendo afastado temporariamente pela Receita Federal da função que ele exercia”, relatou Cury: “Tudo isso em meio a essa investigação, que tramita no Supremo Tribunal Federal, mas que também existe dentro da Receita Federal, administrativamente, por meio de uma sindicância da corregedoria que foi aberta”.
O ministro Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal intime o presidente da Unfisco Nacional (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil), Kleber Cabral, para prestar esclarecimentos sobre declarações dadas à imprensa.
“O fato é que o fato de que ele [Cabral] ter sido um crítico da atuação do Supremo fez com que ele fosse intimado a depor à Polícia Federal, corroborando essas críticas que são feitas ao Supremo”, apontou o analista.
Acrescentando: “A forma como esse inquérito sai de largada já é alvo de uma série de críticas, e aí, a própria crítica a esse inquérito e a essa ofensiva fez com que quem criticou fosse intimado a depor”.
No entanto, o caso tem sido alvo de questionamentos por conta da maneira como foi iniciado. O inquérito foi aberto a partir do inquérito das fake news, sem provocação formal da Polícia Federal ou pedido da Procuradoria Geral da República.
Críticas internas no STF
Segundo Teo Cury, ministros do próprio Supremo Tribunal Federal criticaram internamente a forma como o ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura do inquérito. De acordo com a apuração, alguns ministros entendiam que a investigação deveria partir de um pedido da Procuradoria Geral da República e, posteriormente, ser distribuída livremente entre os ministros da Corte.
Essa situação tem alimentado o que o analista chamou de “bola de neve”, com críticas crescentes à condução do processo e questionamentos sobre os procedimentos adotados no âmbito da investigação.
source
Fonte : CNN