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O arquiteto e artista Augusto Mendonça denunciou ter sido vítima de agressão verbal e física, durante o Carnaval de Olinda (PE).

Segundo o relato, ele foi atacado por um grupo de jovens enquanto circulava vestido como drag queen no Bairro Novo, no último domingo (15), quando sofreu ofensas homofóbicas e um golpe no rosto. A ocorrência foi registrada nesta quinta-feira (19). De acordo com a PCPE (Polícia Civil de Pernambuco), o caso é investigado pela Delegacia do Varadouro.

Em vídeo um publicado nas redes sociais, Augusto Mendonça mostrou o ferimento no rosto e relatou que a agressão ocorreu quando ele caminhava sozinho pelas ruas do sítio histórico.

“Isso aqui no meu rosto não é maquiagem. Eu adoraria que fosse, mas é marca da homofobia”, afirmou. “Pois é, agora, no carnaval, eu sofri uma agressão.”

Segundo o arquiteto, ele estava em Olinda para fazer uma surpresa aos amigos e havia deixado o carro nas proximidades do Varadouro, seguindo a pé em direção às ladeiras. Vestido como drag queen, disse que, até então, o clima era de festa. “O pessoal brincando, falando ‘que linda’, enfim, aquela energia do carnaval”, relatou.

A situação mudou quando ele percebeu a aproximação de dois grupos de jovens. No primeiro, ouviu xingamentos homofóbicos. “Um deles falou: ‘que bicha feia’. Eu respondi ‘boa noite’ e segui. Não reagi”, contou. Pouco depois, ao cruzar com um segundo grupo, maior, foi atingido no rosto. “Um desses do segundo grupo me deu um soco. Não sei se foi um soco ou um tapa, muito certeiro, que acertou meu olho”.

Augusto disse que não reagiu por medo de uma agressão mais grave. “Se aqueles dez ou quinze se juntassem, talvez eu não estivesse aqui hoje”. Ele afirmou que chegou a considerar pedir ajuda à polícia, mas que uma viatura havia passado minutos antes do ataque.

“Você vê um carro de polícia, não imagina que algo assim vai acontecer”.

Após o golpe, o arquiteto percebeu que estava sangrando e procurou ajuda em uma barraca de bebidas, onde recebeu gelo para conter o ferimento. Em seguida, foi atendido em um ponto de assistência médica. “O médico disse que não precisava dar ponto, apesar de ter sido bem feio”, relatou.

Ele contou ainda que decidiu não relatar o ocorrido aos amigos nem à família naquele momento. “Eu não queria acabar com o carnaval deles. Para minha mãe, eu disse que tinha caído da rede”. A decisão de tornar o caso público veio dias depois. “Eu não vou ficar calado. Fiz o boletim de ocorrência e vou tentar conseguir imagens da área para localizar essas pessoas.”

No vídeo, Augusto afirmou que a agressão foi motivada pelo simples fato de existir fora dos padrões. “Eu não sou travesti, não sou trans. Eu estava com uma fantasia. Talvez, se eu estivesse de ‘boy’, não tivesse sofrido”.

A ocorrência foi registrada nesta quinta-feira (19) e, segundo a Polícia Civil de Pernambuco, as investigações estão em andamento e seguem até a completa elucidação do caso.

Ao final do depoimento, o arquiteto fez um apelo para que vítimas denunciem casos de violência. “A gente incomoda enquanto existência, (…) a gente incomoda simplesmente por ser mais alegre, por ser mais livre. O soco que esse cara deu em mim foi um soco em algo que tem dentro dele, mal resolvido. O soco que ele deu foi pra matar, foi pra aniquilar, foi pra destruir uma face, um rosto que é livre”, desabafou. “Denunciem. Vão pra cima, que a gente tem que combater esse tipo de criminoso, esses monstros soltos por aí”, disse.

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Fonte : CNN

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