A mineradora australiana Magnum Mining anunciou nesta quinta-feira (19) a confirmação de uma descoberta de terras raras do tipo argila de adsorção iônica em Goiás.
Após o comunicado, as ações da companhia dispararam 20% na bolsa australiana. A empresa é dona de 100% do projeto Azimuth.
Apesar da reação positiva do mercado, a conversão de uma descoberta exploratória em mina comercial depende de anos de perfuração adicional, definição de recursos conforme padrões internacionais, licenciamento ambiental e captação de capital, etapas que ainda estão por vir no caso da Magnum.
A empresa informou que testes metalúrgicos confirmaram que os elementos de terras raras estão adsorvidos na superfície das partículas de argila.
Esse modelo é considerado estratégico porque permite extrair as terras raras com um processo mais simples e menos agressivo, usando soluções leves e sem a necessidade de aquecer o material a altas temperaturas ou utilizar grandes volumes de ácidos fortes, etapas comuns em projetos de rocha dura, que costumam encarecer e tornar a operação mais complexa.
Na prática, isso pode significar menor consumo energético, redução de custos operacionais e menor geração de rejeitos agressivos. Além disso, depósitos de argila iônica costumam ocorrer próximos à superfície, reduzindo a necessidade de escavações profundas, podendo diminuir o investimento inicial em infraestrutura de mina.
Os testes divulgados indicaram recuperações de até 75% de óxidos totais de terras raras e 94% de óxidos magnéticos, números superiores aos observados em diversos projetos globais do mesmo tipo.
A alta recuperação metalúrgica é uma boa notícia para a empresa, mas sozinha não garante que o projeto será viável. No caso do projeto em Goiás, as perfurações ainda são preliminares e de pequena profundidade, realizadas sobretudo com trado, método típico das fases iniciais de exploração.
Ela mostra que, em laboratório, é possível extrair uma parcela significativa das terras raras do material. Para virar mina, porém, é preciso comprovar que existe volume suficiente e contínuo de minério, com teor adequado, capaz de sustentar anos de produção.
Além disso, entram na conta os custos de implantação da planta, infraestrutura, energia, logística, licenciamento ambiental e o comportamento dos preços no mercado internacional.
Se esses fatores não fecharem a equação, even um material com boa recuperação pode não se tornar economicamente atrativo.
O projeto está em fase extremamente inicial. Trata-se de uma iniciativa greenfield, sem estimativa oficial de recursos minerais publicada, sem estudo econômico preliminar e sem financiamento estruturado até o momento.
A empresa controla 72 concessões que somam cerca de 1,2 mil km² em Goiás e Minas Gerais, e ainda está na etapa de delimitação da continuidade lateral da mineralização.
A área fica próxima ao empreendimento da Serra Verde, também em Goiás, atualmente a única operação comercial de terras raras do tipo argila iônica fora da Ásia.
A proximidade geológica reforça o interesse do mercado, mas não garante equivalência de escala ou maturidade. Serra Verde levou mais de uma década entre exploração, estudos e desenvolvimento até iniciar a produção comercial.
A descoberta ocorre em meio à corrida global por minerais críticos, impulsionada pela eletrificação da economia, expansão de turbinas eólicas e fortalecimento da indústria de defesa. Elementos de terras raras como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio são fundamentais para a produção de ímãs permanentes de alta performance.
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Fonte : CNN