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Os Estados Unidos devem ampliar em até 3% as importações de carne bovina em 2026, segundo projeção divulgada nesta quinta-feira (19) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A projeção reflete o cenário de oferta mais enxuta de animais prontos para abate no país.

De acordo com o relatório, as importações de proteína bovina já haviam crescido 16% no ano passado, alcançando cerca de 2,45 milhões de toneladas. O movimento ocorre em meio ao menor nível de oferta de gado para abate em aproximadamente 75 anos, o que tem pressionado a necessidade de compras externas para suprir a demanda doméstica.

O recuo no rebanho de gado já impacta as indústrias frigorificas nos Estados Unidos, em que a  JBS, Tyson Foods e a Cargill já anunciaram o fechamento de fábricas de processamento de carne no início deste ano.

Dados da consultoria Agrifatto indicam a crise de oferta de gado nos país deve persistir até 2027, mantendo a demanda norte-americana aquecida para as exportações brasileiras.

Levantamento do Ipea mostra que, até 5 de janeiro de 2026, os Estados Unidos já haviam importado cerca de 47 mil toneladas dentro do sistema de cotas, o equivalente a 73% do volume anual isento de tarifas. Em 2025, a cota de 65 mil toneladas foi totalmente preenchida ainda em 17 de janeiro, reforçando a expectativa de manutenção do ritmo forte de compras.

Segundo o USDA, o Brasil registrou avanço de 39% nos embarques de carne bovina aos Estados Unidos no ùltimo ano. Antes da aplicação de tarifas adicionais, o mercado americano figurava como o segundo principal destino das exportações brasileiras do produto.

O departamento também informou que a disponibilidade de cotas tarifárias foi ampliada para alguns parceiros comerciais estratégicos, o que deve melhorar as condições de acesso para parte das importações. A Argentina tende a ser a principal beneficiária desse sistema ao longo do ano.

Em fevereiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto para ampliar as importações de carne da Argentina. A expectativa do governo é que o aumento da oferta externa contribua para reduzir os preços da carne no mercado interno.

Para o analista Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos, a perspectiva de maior demanda americana já influencia as cotações no mercado futuro do boi gordo. Segundo ele, os principais contratos vém registrando valorização diante da possibilidade de os EUA ampliarem as compras, com o Brasil entre os principais fornecedores capazes de atender esse aumento.

O analista acrescenta que a necessidade de importação tende a persistir, já que o rebanho bovino norte-americano vem encolhendo ano após ano. Além disso, o México, parceiro relevante no comércio de gado e carne, enfrenta dificuldades para controlar focos de doenças no rebanho, o que também pode limitar a oferta regional.

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Fonte : CNN

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