A estrela francesa Juliette Binoche afirmou nesta quarta-feira (18 de fevereiro) que é mais fácil assinar um papel do que ir a Gaza e ajudar as pessoas de verdade. O comentário surgiu após mais de 80 ex-participantes do Festival de Cinema de Berlim publicarem uma carta aberta pedindo que os organizadores tomem uma posição sobre a guerra de Israel.
Os artistas estão ao lado daqueles que sofrem e usam seu ofício para a tarefa imensamente importante de fazer com que as pessoas tenham mais compaixão e compreensão umas pelas outras, disse ela à Reuters em Berlim, onde seu novo filme, “Queen at Sea”, estreou.
“Claro, é mais fácil assinar um papel do que ir a Gaza e ajudar as pessoas de verdade”, afirmou a atriz.
Israel tem restringido severamente o acesso a Gaza desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra no enclave.
“Estamos do lado das pessoas que sofrem”, acrescentou Binoche. “Isso faz parte de quem somos e do que precisamos ser. Portanto, não se esqueçam: Wim Wenders é um poeta”, disse ela, referindo-se ao aclamado diretor alemão que é o presidente do júri deste ano.
Tensões no Festival de Berlim
O Festival de Cinema de Berlim tem sido repetidamente criticado por ativistas pró-Palestina por não assumir uma postura clara sobre a guerra em Gaza, em forte contraste com seu posicionamento firme em relação aos protestos no Irã e à invasão da Ucrânia pela Rússia.
Wenders reacendeu o debate antes do festival ao declarar que os cineastas devem ficar fora da política. O comentário levou a romancista indiana Arundhati Roy, vencedora do Booker Prize, a cancelar sua participação, dizendo-se “chocada e enojada” com as declarações.
A diretora do festival, Tricia Tuttle, e o ministro federal da Cultura, Wolfram Weimer, defenderam o direito dos artistas de se absterem de comentários políticos. Weimer descreveu a fala de Wenders como “muito equilibrada”.
Histórico de Posicionamento
Binoche não assinou esta última carta, mas havia assinado um manifesto criticando o silêncio da indústria cinematográfica sobre Gaza pouco antes do Festival de Cannes em maio do ano passado, onde foi presidente do júri.
Na ocasião, a vencedora do Oscar usou seu discurso de abertura para homenagear a fotojornalista palestina Fatma Hassona, morta em um ataque aéreo israelense em Gaza.
No ano passado, mais de 5.000 profissionais do entretenimento, incluindo estrelas de Hollywood, assinaram um compromisso de não trabalhar com instituições cinematográficas israelenses que considerassem cúmplices no tratamento de Israel em relação aos palestinos.
source
Fonte : CNN