Em entrevista à CNN nessa quarta-feira (18), o presidente da Unafisco (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal), Kleber Cabral, afirmou que não há indícios de que o auditor da Receita Ricardo Mansano, alvo de operação da PF (Polícia Federal) na terça-feira (17), tenha vazado dados sigilosos.
Segundo ele, o que há são evidências de acesso indevido, mas não de informações que tenham sido expostas a terceiros.
“O que nós temos até esse momento são indícios de acesso. De vazamento, pelo menos em relação ao auditor fiscal, absolutamente nenhum, porque não há notícia nenhuma de que a pessoa que ele acessou, que é uma enteada do ministro Gilmar [Mendes], que tenha vazado qualquer informação sobre ela”, afirmou Cabral.
Como mostrou a CNN, Mansano relatou a interlocutores que houve um acesso acidental ao CPF da enteada de Gilmar Mendes, Maria Carolina Feitosa, filha da advogada Guiomar Feitosa. Ele revelou que já prestou esses esclarecimentos à Receita.
“Tinha sido um acesso que ele não devia ter feito. Ele mesmo acusou isso: ‘eu não devia ter feito, porque na verdade era uma questão que eu tentei achar uma pessoa que era ex-esposa de um amigo de longa data. Eu vi o mesmo sobrenome, a mesma cidade, achei que era a mesma pessoa e acabei usando o sistema da Receita para tentar tirar essa dúvida'”, disse Cabral.
Além do auditor, outros três servidores foram alvos de mandados de busca e apreensão e medidas cautelares por suspeita de vazar dados fiscais sigilosos de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), da PGR (Procuradoria-Geral da República) e seus parentes.
A ação foi deflagrada no âmbito de uma investigação aberta dentro do inquérito das fake news. O ministro Alexandre de Moraes determinou ainda, atendendo solicitação da PGR, medidas cautelares, como o monitoramento por tornozeleira eletrônica, o afastamento do exercício de função pública, o cancelamento de passaportes e a proibição de saída do país.
Em nota após a operação, o STF informou que investigações iniciais identificaram “diversos e múltiplos acessos ilegais” ao sistema da Secretaria da Receita para tentativa de coleta de dados sigilosos de autoridades. Também teria sido constatada a entrega dos dados a terceiros.
Na avaliação do presidente da Unafisco, houve “desproporcionalidade” na ação tomada pelo STF.
“A gente fica muito apreensivo de ver a desproporcionalidade da ação, entendeu? Uma pessoa que sem processo, não é no curso do processo, houve uma medida cautelar gravosa antes do processo. Ela não teve processo disciplinar aberto, não teve processo nenhum”, afirmou.
(Publicado por Renata Souza, da CNN Brasil)
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Fonte : CNN