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A cerimônia do Bafta 2026 (British Academy of Film and Television Arts) acontece neste domingo (22), quatro semanas antes do Oscar. O Brasil está presente com “O Agente Secreto” e o diretor de fotografia Adolpho Veloso, indicado por “Sonhos de Trem“.

Apesar de tradicionalmente considerada termômetro da maior premiação do cinema mundial, uma análise dos últimos 10 anos revela um padrão surpreendente: as duas academias divergiram em oito das 10 escolhas para Melhor Filme.

Apenas duas produções conquistaram ambas as estatuetas: “Nomadland” (2020) e “Oppenheimer” (2023). Todos os outros anos registraram vencedores diferentes, com escolhas que refletem critérios, públicos e contextos culturais distintos entre as academias britânica e americana.

Os números da divergência entre o Bafta e o Oscar

A lista dos últimos 10 anos expõe o padrão:

Mas por que o Bafta e o Oscar divergem tanto? Entenda as principais diferenças entre as premiações:

Composição e tamanho das academias

O prêmio da Academia Britânica conta com aproximadamente 7.500 membros da indústria cinematográfica, majoritariamente britânicos, embora tenha expandido sua composição internacional nos últimos anos.

Já a Academia de Hollywood (Ampas) reúne mais de 10.000 votantes, predominantemente americanos, com critérios de elegibilidade mais rígidos vinculados à carreira nos Estados Unidos. Essa diferença de perfil se reflete diretamente nas escolhas: em 2026, o Oscar indicou “Pecadores” como líder com 16 nomeações, enquanto o Bafta priorizou “Uma Batalha Após a Outra” com 14 indicações.

Categorias exclusivamente britânicas

Uma das particularidades do Bafta são as categorias dedicadas exclusivamente ao cinema do Reino Unido, como Melhor Filme Britânico e Melhor Estreia Britânica. Essas categorias criam um espaço adicional para produções locais que não necessariamente competem pelo reconhecimento internacional.

O impacto dessa estrutura fica evidente nos números de 2026: enquanto filmes como “The Ballad of Wallis Island” e “Pillion” acumularam múltiplas indicações no Bafta, nenhum deles sequer foi indicado pela Academia do Oscar.

Calendário de votação invertido em 2026

Tradicionalmente, o Bafta anuncia indicações antes do Oscar. Em 2026, no entanto, o calendário inverteu: as indicações ao Bafta saíram cinco dias após as do Oscar, tornando a premiação britânica mais um “último termômetro” do que um indicador final para o prêmio da Academia de Hollywood.

O Oscar fecha sua votação final apenas em 5 de março, após o impacto de cerimônias dos sindicatos americanos (produtores, atores e diretores) que frequentemente redefinem o favoritismo. O Bafter 2026, no entanto, acontece antes desses eventos decisivos.

Wagner Moura: o contraste entre as duas academias

O ator brasileiro Wagner Moura durante o almoço que antecede o Oscar • Kevin Winter/Getty Images
O ator brasileiro Wagner Moura durante o almoço que antecede o Oscar • Kevin Winter/Getty Images

O caso de Wagner Moura expõe com clareza as diferenças de perfil entre BAFTA e Oscar. O ator brasileiro está indicado ao Oscar de Melhor Ator por “O Agente Secreto” — uma conquista histórica, já que é o primeiro brasileiro a concorrer na categoria. No Bafta, porém, seu nome sequer entrou na pré-seleção inicial de dez candidatos.

A explicação está no perfil ainda predominantemente anglófono da premiação britânica: todos os seis indicados a Melhor Ator no Bafta 2026 atuam em inglês em seus respectivos filmes.

A Academia americana, por outro lado, tem demonstrado maior abertura para performances em outros idiomas. Além de Moura, o Oscar 2026 incluiu produções não anglófonas em praticamente todas as categorias principais.

Para Moura e “O Agente Secreto”, a ausência no Bafta não diminui a relevância da indicação ao Oscar. Pelo contrário, reforça que a conquista americana representa um avanço real no reconhecimento internacional do cinema brasileiro.

O Bafta não é Oscar — mas importa

Apesar da divergência histórica em Melhor Filme, o Bafta mantém relevância estratégica na temporada de premiações. Primeiro, porque vitórias no Reino Unido geram cobertura internacional que alimenta narrativas de favoritismo justamente quando os votantes do Oscar ainda estão decidindo seus votos.

Segundo, porque nas categorias técnicas, como Fotografia, Montagem, Efeitos Visuais, a convergência entre as academias é significativamente maior, tornando o BAFTA um indicador mais confiável nessas áreas.

E terceiro, porque filmes que conquistam o público britânico demonstram capacidade de atravessar fronteiras culturais, um ativo valioso para produções internacionais como “O Agente Secreto” que precisam construir legitimidade global.

A cerimônia acontece em 22 de fevereiro, às 16h no horário de Brasília.

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Fonte : CNN

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