Os postes de iluminação pública foram instalados no Brasil no fim do século XVIII e, nos próximos anos, devem passar pela maior revolução desde que deixaram de usar óleo de azeite ou baleia para a utilização de energia elétrica.
No passado, o foco em iluminar deu outro aspecto à paisagem noturna urbana. Agora, os postes de iluminação estão próximos de ser tornar um ponto central para a infraestrutura digital pública.
Segundo Eduardo Fagundes, professor e CEO da nMentors Engenharia, os postes terão outro papel muito em breve.
“O escopo evolui de “luz disponível” para “capacidade operacional urbana”, com implicações diretas para segurança pública, mobilidade e resiliência climática” diz Fagundes em entrevista à CNN Brasil.
A gestão da cidade passará a observar os parque de iluminação não mais como apenas um poste, mas um sistema que precisará ser gerido, com sensores conectado e processamento de dados.
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Data centers
O sistema pretendido pode ser útil para o uso de pequenos data centers descentralizando a conexão, servindo como facilitador para o tráfego de informações para conexão de equipamentos da ‘internet das coisas’, como carros inteligentes e equipamentos domésticos.
A instalação de unidades de processamento na extremidade da rede reduz o tempo de resposta do sistema, mas a continuidade da operação exigirá sistemas de reserva de energia para assegurar o funcionamento de câmeras ou outros sensores.
“Sem uma estratégia de energia firme, a cidade inteligente colapsa operacionalmente, mesmo que sensores e software estejam tecnicamente corretos. Essa é a complicação central: a escalabilidade do modelo depende de uma arquitetura que continue operando com comunicação degradada e que mantenha disponibilidade mesmo com falha elétrica prolongada”, analisa Fagundes.
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Emenda Constitucional
O processo de mudança começou a ser desenhado ainda em 2023, quando uma Emenda Constitucional (nº 132/2023 atualiza o art. 149-A) que passou a permitir que munícipios possam cobrar o custeio e melhoria da iluminação pública, o imposto poderá ser cobrado a partir de 2026.
Com isso os municípios do Brasil transformam a rede de iluminação em suporte para tecnologia. A nova medida permite o uso de recursos da contribuição de custeio para a instalação de sistemas de monitoramento em vias.
Com o futuro das “cidades inteligentes” os postes poderão ser parte fundamental no processo de arquitetura.
“A gestão pública passa a exigir mensuração de disponibilidade, qualidade de serviço e trilha de auditoria para sustentar legitimidade, reduzir risco reputacional e viabilizar escalabilidade do modelo. Esse é o ponto de inflexão: a infraestrutura legada continua presente, mas a cidade passa a ser gerida como um sistema ciberfísico, com sensores, conectividade e processamento distribuído”, completa Fagundes.
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Fonte : CNN