A Unidos do Viradouro conquistou o título do Grupo Especial do carnaval carioca de 2025 mesclando excelência técnica com uma poderosa homenagem emocional ao mestre Ciça. De acordo com o doutor em Ciências Sociais e autor do livro “O Desfile e a Cidade: o carnaval-espetáculo carioca”, Edson Farias, o resultado foi justo em um dos concursos mais disputados dos últimos anos.
“A Viradouro foi uma escola completa do ponto de vista técnico, no cumprimento dos quesitos, seja comissão de frente, o casal de mestres e porta-bandeira, em termos de harmonia, de evolução, da própria bateria, da maneira como o samba-enredo foi levado com muita força pelos componentes, em termos alegóricos, das fantasias”, avaliou Farias. Segundo o especialista, a agremiação conseguiu aliar essa competência técnica a uma carga emotiva muito forte ao homenagear um dos seus baluartes, o mestre Ciça.
Homenagem que transcende
A vitória da Viradouro representa uma reverência não apenas ao mestre Ciça, mas a todo um legado do carnaval carioca, visto que o mestre é uma referência na folia há mais de 50 anos. “Com o título da Viradouro, o que se está reverenciando não é apenas o mestre Ciça, que já é uma grande coisa, mas está reverenciando o artista do carnaval“, destacou Farias. O especialista lembrou a origem do homenageado no morro de São Carlos, berço histórico do samba onde surgiu a primeira escola de samba, a Deixa Falar, em 1927.
A trajetória de Ciça, que começou como componente da Unidos de São Carlos, depois Estácio de Sá, até chegar à Viradouro, simboliza as oportunidades que o universo das escolas de samba proporciona. “A vitória da Viradouro fala bem mais do que o Ciça. Ela fala desse espaço, dessa passarela. Ela fala das oportunidades que o desfile da escola de samba permite, como um homem anônimo, periférico, chega ao estrelato do carnaval“, refletiu Farias.
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Estratégia emocional
Um dos pontos altos da apresentação foi a estratégia de construção do desfile. “A Viradouro foi estrategicamente muito bem montada. O Ciça já aparece na comissão de frente, ele não ficou homenageado que só surgiria ao final do desfile”, explicou Farias. Ao longo da apresentação, a escola prestou homenagens a outros nomes importantes do carnaval, como o carnavalesco Paulo Barros, com quem Ciça trabalhou em 2007 e 2019.
O ápice do desfile ocorreu com uma plataforma gigantesca percorrendo a Passarela do Samba, com Ciça comandando como o grande regente, recuperando o momento histórico do carnaval que ele protagonizou em 2007, quando a bateria da Viradouro também foi posicionada em cima de um carro alegórico.
O especialista destacou ainda a participação especial de Selminha Sorriso e Claudinho, que após desfilarem pela Beija-Flor, onde estão há 30 anos, participaram como destaques na Viradouro em uma demonstração de respeito ao samba e à homenagem prestada a Ciça.
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Fonte : CNN