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Os funcionários do Federal Reserve chegaram a um acordo quase unânime para manter as taxas de juros inalteradas em sua reunião do mês passado, mas permaneceram divididos sobre o que poderia acontecer a seguir, com “vários” formuladores de políticas levantando o risco de possíveis aumentos nos custos dos empréstimos se a inflação permanecer elevada, e outros divididos sobre se e quando novos cortes poderiam ser justificados, de acordo com a ata da reunião de 27 e 28 de janeiro.

A ata também indicou que a maioria dos participantes alertou que o progresso rumo à meta de inflação de 2% pode ser mais lento e irregular do que o esperado e avaliou como significativo o risco de a inflação permanecer persistentemente acima do objetivo.

A decisão de manter as taxas estáveis foi compartilhada por “quase todos” os funcionários do banco central dos EUA como uma forma de avaliar a situação da economia após cortes de 75 pontos-base no ano passado, com apenas “alguns” apoiando um corte nas taxas, segundo a ata, divulgada na quarta-feira. Os participantes observaram que a atividade econômica tem avançado em ritmo sólido e, de forma geral, esperam que o crescimento continue forte em 2026.

Integrantes do Fed, Christopher Waller e Stephen Miran, votaram contra a decisão, devido à preocupação com o possível enfraquecimento do mercado de trabalho. Apesar disso, a ampla maioria avaliou que as condições do mercado de trabalho mostram sinais de estabilização e que os riscos de deterioração diminuíram.

Mas a opinião se dividiu entre os outros 17 funcionários, com a primeira menção direta a possíveis aumentos nas taxas se a inflação permanecer acima da meta de 2% do Fed. Atualmente, ela está cerca de um ponto percentual acima desse nível.

Embora seja amplamente antecipada uma desaceleração da inflação este ano, o que deverá abrir caminho para novos cortes nas taxas, a ata refere que “vários participantes indicaram que poderiam ter apoiado uma descrição ambígua das futuras decisões do Comitê (Federal de Mercado Aberto) sobre as taxas de juros, refletindo a possibilidade de que ajustes para cima na meta para a taxa de juros dos fundos federais poderiam ser apropriados se a inflação permanecesse acima dos níveis alvo”.

“Alguns” outros consideraram que as taxas precisariam ser mantidas “por algum tempo” enquanto aguardavam novos dados sobre a inflação e a economia, com um subgrupo desse grupo argumentando que os cortes podem não ser apropriados até que haja evidências de que “a desinflação está de volta aos trilhos”.

“Vários”, por outro lado, afirmaram que suas perspectivas básicas para a inflação e a economia incluíam novas reduções nas taxas. Esses participantes também indicaram que novos cortes provavelmente seriam apropriados caso a inflação desacelere conforme o esperado.

A ata apresenta o debate da reunião de janeiro sob uma ótica hawkish, já que os membros votaram pela manutenção da taxa básica de juros na faixa atual de 3,50% a 3,75% e sinalizaram que ela pode permanecer assim por algum tempo. Os investidores esperam que o Fed mantenha a taxa básica de juros atual até a reunião de 16 e 17 de junho, com cortes de um quarto de ponto percentual previstos para essa sessão e para a de setembro.

As projeções da equipe técnica do Fed também ficaram mais otimistas em relação à atividade econômica em comparação a dezembro, com inflação levemente mais alta no curto prazo e expectativa de queda gradual da taxa de desemprego a partir de 2026.

Sucessão do Presidente do Fed

A reunião de junho poderá ser a primeira sob a liderança do candidato a presidente do Fed, Kevin Warsh, caso ele seja confirmado pelo Senado dos EUA a tempo de assumir o cargo quando o mandato do atual presidente do Fed, Jerome Powell, terminar em maio.

A próxima reunião do Fed está marcada para 17 e 18 de março, quando os formuladores de políticas apresentarão projeções econômicas e de taxas de juros atualizadas.

Os dados divulgados desde a reunião de janeiro pouco contribuíram para resolver o debate sobre se o Fed deve priorizar uma maior pressão descendente sobre a inflação, mantendo os custos dos empréstimos nos níveis atuais, ou apoiar o emprego e o crescimento econômico com crédito mais barato.

A inflação dos preços ao consumidor em janeiro foi mais fraca do que o esperado, mas o crescimento do emprego no mês superou as expectativas e a taxa de desemprego caiu, com a maioria dos responsáveis afirmando que esperam que o crescimento econômico razoavelmente forte continue.

De modo geral, os participantes também avaliaram que, com uma política monetária adequada, o mercado de trabalho tende a se estabilizar e melhorar ao longo deste ano, enquanto a inflação deve convergir para a meta de 2%, ainda que com incertezas quanto ao ritmo e ao momento dessa desaceleração.

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Fonte : CNN

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