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A Corsan (Companhia Riograndense de Saneamento), maior empresa de saneamento do Rio Grande do Sul, tem apostado em ações de conscientização e comunicação com a população para tentar resolver um dos principais gargalos do saneamento: a dificuldade de ligação dos imóveis à rede de esgoto.

O desafio é considerado decisivo para alcançar a meta de 90% de coleta e tratamento até 2033, prevista no marco legal do setor.

Hoje, segundo a empresa, o atendimento de esgoto sanitário alcança 28% dos domicílios atendidos, ante 20% quando a Corsan foi privatizada, em 2023, e a Aegea assumiu o controle, período em que a companhia afirma ter quase quadruplicado o investimento médio anual em relação ao patamar pré-privatização.

No caso da Corsan, que atende mais de 6,5 milhões de pessoas em 317 municípios, o desafio é ainda mais complexo.

Os contratos e as características de cada região variam, e a expansão da rede precisa conviver com cidades que, em muitos casos, foram ocupadas e urbanizadas sem infraestrutura de esgotamento, com ruas já pavimentadas, interferências subterrâneas e obras longas.

Um ponto central, segundo a empresa, é que o relacionamento não pode ficar restrito a prefeitos e vereadores.

A estratégia passa por “falar com quem decide no dia a dia”: o morador e o comerciante que precisam autorizar e viabilizar a ligação do imóvel ao coletor.

“Se a gente não conseguir explicar para aquele morador, para aquele comerciante, para o dono daquele imóvel, que a conexão é importante, que vai trazer um benefício coletivo da diminuição das doenças de veiculação hídrica, vai trazer desenvolvimento imobiliário, vai trazer queda do absenteísmo escolar… tem um benefício coletivo que você tem que explicar para que a pessoa entenda”, afirmou o vice-presidente Regional Sul e Sudeste da Aegea, Leandro Marin, em referência ao esforço de adesão à conexão.

Na prática, o papel da concessionária é levar a rede até a rua e disponibilizar o ponto de ligação. A responsabilidade pela conexão do imóvel, a tubulação interna que liga a casa ou o comércio à rede, é do morador/proprietário, e a legislação federal prevê a obrigatoriedade dessa ligação quando a infraestrutura estiver disponível.

Mesmo antes da conexão interna, se a rede já estiver disponível para uso na rua, a concessionária pode iniciar a cobrança de uma tarifa mínima, pois o serviço foi colocado à disposição do imóvel.

Na realidade, porém, a ligação muitas vezes não ocorre por fatores como falta de recursos para a obra interna, desinformação, resistência a intervenções, obras demoradas e até motivações políticas.

Para a Corsan, apenas “forçar” o cumprimento da regra não resolve.

A empresa defende uma combinação de educação e parceria institucional para destravar as ligações e acelerar resultados.

“Você pode usar um pouco desse enforcement da lei para ajudar, mas só isso não basta”, disse Marin. “A concessionária tem que ir lá explicar, tem que se conectar com o MP (Ministério Público) para trazer uma parceria, com as prefeituras, com as vigilâncias sanitárias, com as escolas. Então, papel de conscientização e educação.”

Nesse esforço, a Corsan afirma investir em ações como educação de crianças em escolas, diálogo com lideranças comunitárias e programas de subsídio para apoiar a instalação da ligação intradomiciliar em casos específicos.

*O repórter viajou a convite da Aegea.

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Fonte : CNN

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