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A saída do diretor-executivo da gigante portuária de Dubai, DP World, foi o maior efeito colateral no Oriente Médio relacionado a divulgação dos documentos Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos que mostram que o empresário bilionário Jeffrey Epstein, condenado por abuso e tráfico sexual, tentou construir uma poderosa rede de figuras políticas e líderes empresariais em toda a região.

A DP World anunciou na sexta-feira (13) que Sultan Ahmed Bin Sulayem renunciou ao cargo de diretor-executivo e presidente do conselho.

Essa decisão foi tomada depois que o nome de Bin Sulayem apareceu nos arquivos de Epstein, disseram à agência de notícias Reuters duas fontes com conhecimento direto do assunto, e à medida que seu relacionamento com o falecido criminoso sexual condenado passou a ser alvo de crescente escrutínio.

Na troca de mensagens, Bin Sulayem discutiu relacionamentos sexuais com mulheres com as quais Epstein o ajudou a se conectar.

Em um e-mail datado de 9 de novembro de 2007, Bin Sulayem falou para Epstein que havia conhecido uma dessas mulheres em Nova York, cujo nome ele não menciona e com quem disse não ter tido relações sexuais.

“Sim, depois de várias tentativas ao longo de vários meses, conseguimos nos encontrar em Nova York”, escreveu ele, acrescentando que houve um mal-entendido porque “ela queria NEGÓCIOS! enquanto eu só queria SEXO!”

O governante de Dubai também emitiu um decreto na sexta-feira (13) nomeando um novo presidente para a Corporação de Portos, Alfândegas e Zonas Francas de Dubai, um dos vários cargos ocupados por Bin Sulayem.

A agência de notícias Reuters conseguiu analisar de forma independente apenas alguns dos arquivos de Epstein relacionados a Bin Sulayem e não conseguiu apurar o que especificamente levou à sua saída da DP World, embora as fontes tenham dito, sem fornecer mais detalhes, que estava relacionado aos arquivos.

Bin Sulayem não respondeu aos pedidos de comentários da Reuters sobre sua saída. A DP World se recusou a comentar.

Empresas suspendem investimentos com empresa de Bin Sulayem

Em uma troca de e-mails, Jeffrey Epstein descreveu Sultan Ahmed Bin Sulayem como engraçado, confiável e um apreciador da boa comida. O magnata continuou dizendo que o ex-diretor-executivo, um muçulmano, não bebe e reza cinco vezes ao dia.

Uma fotografia sem data, que aparece em um e-mail e está disponível publicamente, mostra Epstein cozinhando com Bin Sulayem, e os dois parecem estar relaxados juntos. O nome completo da pessoa para quem o magnata americano enviou a foto não foi divulgado.

Bin Sulayem não comentou publicamente a descrição de Epstein nem os e-mails sobre seu relacionamento com ele.

Ter seu nome mencionado no arquivo não é prova de atividade criminosa.

Mas, depois que integrantes do Congresso dos EUA disseram que o nome do ex-diretor-executivo apareceu em arquivos divulgados pelo DOJ (Departamento de Justiça dos EUA), ele enfrentou novas perguntas de alguns dos investidores da DP World sobre suas interações passadas.

Sultan Ahmed Bin Sulayem não respondeu publicamente a essas preocupações.

A agência de financiamento para o desenvolvimento do Reino Unido, BII (British International Investment), e o segundo maior fundo de pensão do Canadá declararam na semana passada que suspenderiam todos os novos investimentos na DP World devido aos supostos laços de Bin Sulayem com Epstein.

“Estamos chocados com as alegações que surgiram nos Arquivos Epstein relativas ao Sultão Ahmed Bin Sulayem”, disse um porta-voz da BII, sem especificar a quais alegações se referia. “Em vista das alegações, não faremos novos investimentos com a DP World até que a empresa tome as medidas necessárias.”

O fundo de pensão canadense La Caisse afirmou que está “suspendendo a alocação de capital adicional junto à empresa” até que a DP World esclareça a situação e tome “as medidas necessárias”.

Em um comunicado divulgado após as mudanças na liderança da DP World na sexta-feira (13), a BII saudou a decisão da DP World e afirmou que espera continuar “nossa parceria para impulsionar o desenvolvimento de portos comerciais africanos importantes”.

A La Caisse declarou que “a empresa tomou as medidas apropriadas” e que “agirá rapidamente para trabalhar com a nova liderança da DP World a fim de continuar nossa parceria em projetos portuários em todo o mundo”.

Bin Sulayem não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Reuters sobre as medidas tomadas pela BII e pela La Caisse. A DP World se recusou a comentar.

Rede de contatos de Epstein

O extenso conjunto de documentos divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA, incluindo mensagens de texto e e-mails, também demonstra que o Oriente Médio não foi exceção aos esforços de Epstein para usar sua riqueza para construir relacionamentos com figuras proeminentes na política, finanças, academia e negócios em todo o mundo.

A agência de notícias Reuters não conseguiu apurar o grau de sucesso de Epstein em influenciar seus contatos no Oriente Médio, nem se seus conselhos foram acatados.

Os documentos do Departamento de Justiça analisados ​​pela Reuters mostram que Epstein tentou aconselhar líderes empresariais e figuras políticas do Catar durante o bloqueio imposto ao país pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito entre 2017 e 2021, sob acusações de que Doha não havia restringido os laços com o Irã e apoiava o terrorismo, o que o Catar negava.

Em trocas de mensagens com o empresário catariano e membro da família real, Sheikh Jabor Yousuf Jassim Al Thani, Epstein instou o Catar a “parar com as discussões e a acirramento dos ânimos”.

Ele afirmou que “a atual equipe do Catar é muito fraca” e que “o Ministro das Relações Exteriores não tem experiência, e isso fica evidente”.

O ministro das Relações Exteriores do Catar na época era o xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, que agora ocupa os cargos de ministro das Relações Exteriores e primeiro-ministro.

O xeque Mohammed não comentou publicamente a descrição feita por Epstein sobre ele.

Questionado sobre a troca de mensagens, o Escritório Internacional de Mídia do Catar, responsável por atender às solicitações da imprensa em nome do primeiro-ministro, se recusou a comentar.

Não houve resposta a um pedido de comentário da Reuters enviado por e-mail a três empresas no Catar nas quais o xeque Jabor consta como presidente, nem a uma mensagem de texto enviada a um indivíduo que, segundo os arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, trabalha no escritório do xeque Jabor.

Epstein pressionou Doha a estreitar laços com Israel para manter boas relações com Donald Trump, que estava então em seu primeiro mandato como presidente dos EUA.

Ele sugeriu que o país do Golfo reconhecesse Israel ou destinasse US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,2 bilhões) a um fundo para vítimas do terrorismo.

No fim, o Catar manteve seu rumo independente.

Em 2021, os países que impuseram o bloqueio restabeleceram relações com Doha, e os laços entre o governo Trump e o Catar estão agora fortes.

Jeffrey Epstein discute sobre ofertas financeiras

Epstein discutiu a IPO (oferta pública inicial) da Saudi Aramco em dezenas de trocas de e-mails.

Em uma dessas trocas, datada de 10 de setembro de 2016, com uma pessoa identificada como Aziza Alahmadi, e com o ex-diplomata norueguês Terje Roed-Larson em cópia, o magnata alertou que a abertura de capital da Aramco poderia expor a Arábia Saudita a processos judiciais e confisco de bens.

A Saudi Aramco se recusou a comentar sobre esses e-mails.

Não foi possível contatar Alahmadi para comentar o assunto, e a Reuters não conseguiu estabelecer seu papel, se houver, nas atividades de Epstein.

Em um e-mail datado de 16 de outubro de 2017, também enviado a Alahmadi, Epstein sugeriu vender à China uma opção de compra de uma participação de US$ 100 bilhões (aproximadamente R$ 522 bilhões) na Aramco, em vez de realizar um IPO tradicional, alegando que isso proporcionaria liquidez e, ao mesmo tempo, limitaria a exposição aos mercados públicos.

A Saudi Aramco se recusou a comentar os e-mails à Reuters. Roed-Larsen não respondeu imediatamente a um pedido de comentário enviado por e-mail por meio de seu advogado.

A influência do magnata americano também se estendia ao Egito, conforme mostram os documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA.

Alguns e-mails mostram um pedido de ajuda feito por um integrante da família de Hosni Mubarak — a esposa de seu filho Gamal Mubarak — que foi repassado a Epstein em 2011, após a deposição do ex-presidente e seus subsequentes problemas legais.

Os e-mails não especificam o tipo de assistência solicitada e a Reuters não conseguiu apurar se Epstein tentou interceder em nome da família.

A agência de notícias Reuters enviou um e-mail solicitando comentários a um advogado e uma mensagem de texto a outro, ambos representantes de Gamal Mubarak. Não houve resposta imediata.

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Fonte : CNN

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