O controlador do Banco Pleno, Augusto Ferreira Lima — conhecido como Guga Lima —, foi sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master e tem em seu histórico ligações com políticos. Sua instituição financeira teve a liquidação extrajudicial pelo BC (Banco Central) nesta quarta-feira (18).
Guga Lima deixou a sociedade com Vorcaro em maio de 2024. E cerca de um ano mais tarde passou a controlar o Banco Voiter, que antes era parte do conglomerado do Master. Com a aprovação da transferência pelo BC em junho de 2025, a instituição passou a se chamar Banco Pleno.
Assim como Vorcaro, Augusto Ferreira Lima foi preso pela PF (Polícia Federal) em novembro do ano passado no âmbito da operação Compliance Zero. As preventivas dos dois foram revogadas pelo TRF (Tribunal Regional Federal) menos de duas semanas depois da prisão.
A PF investiga, por meio desta investigação, irregularidades no sistema financeiro, cujo centro seria a atuação do Banco Master.
Uma das principais relações políticas do banqueiro baiano se deu com o PT (Partido dos Trabalhadores). Em 2018, durante o governo de Rui Costa (hoje ministro-chefe da Casa Civil), Augusto Lima venceu uma licitação de venda da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos).
À época, o empresário criou o CredCesta, um cartão de crédito consignado com juros abaixo do mercado e direcionado principalmente a funcionários públicos. O empreendimento teve sucesso e o modelo do cartão foi “exportado” para outros estados.
Vorcaro viu potencial no negócio e Guga Lima entrou, em 2020, na sociedade do Master levando o CredCesta, que virou um dos principais ativos do banco.
Como mostrou a CNN, suas relações não se resumem ao PT. Guga Lima é ligado também a expoentes da direita baiana, como ACM Neto (União) e o presidente do PL na Bahia, João Roma. Ele, aliás, é casado com Flávia Arruda, ex-ministra de Jair Bolsonaro (PL).
Liquidação
O Banco Central decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do conglomerado prudencial do Banco Pleno. A instituição é controlada pelo ex-CEO e ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima.
“A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil”, diz a autarquia em nota.
Segundo o BC, o grupo é de pequeno porte, detendo 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do SFN (Sistema Financeiro Nacional).
“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais”, acrescenta.
“O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição objeto da liquidação decretada”, conclui.
A CNN tenta contato com a defesa de Augusto Lima, o espaço segue aberto.
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Fonte : CNN