A Scania está ampliando sua presença global com foco especial na China, enquanto mantém o Brasil como um mercado estratégico para suas operações. Em entrevista exclusiva ao CNN Money, Christian Levin, CEO da Scania, destacou a importância desses dois mercados para o crescimento da empresa.
Levin revelou que o Brasil representa um mercado crucial para a Scania, superando até mesmo importantes países europeus em volume de entregas. “Em 2024, nós conseguimos entregar quase 20.000 caminhões aqui. Isso é mais do que o que fizemos em nossos maiores mercados europeus, como França, Alemanha e Reino Unido”, afirmou.
Além do expressivo volume de vendas, o executivo destacou o papel do Brasil como centro de produção global. “É o nosso segundo hub industrial no mundo, onde temos a cadeia de valor completa presente. Nós não apenas vendemos e prestamos serviços para caminhões aqui, mas também desenvolvemos, fabricamos e entregamos ônibus para clientes no Brasil e na América Latina”, explicou.
Expansão estratégica na China
A Scania está realizando um grande investimento na China, com a inauguração de uma nova fábrica em Rugao, que representa um aporte de mais de 2 bilhões de euros. Quando questionado sobre a justificativa para tal investimento em um momento de sobrecapacidade e agressividade de preços no mercado chinês, Levin explicou que a estratégia vai além da simples expansão de capacidade.
“Nosso sucesso na Europa e na América Latina é construído em um modelo de negócios onde temos estabelecimento industrial próximo ao mercado, podendo entregar produtos personalizados com prazos curtos. Nunca poderíamos fazer isso na Ásia exportando”, justificou o CEO.
Um aspecto particularmente interessante da estratégia da Scania na China é o que Levin chama de “centro de treinamento”. “Estamos na China também para treinar. Pensamos na China como uma academia. Não há dúvida de que a China tem capacidade de desenvolver e industrializar em um ritmo muito alto. Queremos fazer parte desse sistema, porque acreditamos que se pudermos treinar lá com os melhores, também seremos competitivos no resto do mundo”, afirmou.
A Scania está presente há mais de 60 anos na China, mas somente agora conseguiu estabelecer uma operação industrial própria sem necessidade de joint ventures com empresas locais. “Cinco ou seis anos atrás, tivemos a chance de obter uma licença sem um parceiro de joint venture. Estávamos esperando por muitos anos, e quando tivemos a oportunidade, aproveitamos”, explicou Levin, acrescentando que a legislação chinesa anterior não permitia investimentos estrangeiros no setor de veículos comerciais.
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Fonte : CNN