A tênue linha que separa a alegria e o desespero no esporte olímpico ficou evidente quando Loic Meillard conquistou a primeira medalha de ouro da Suíça no slalom masculino desde 1948, enquanto Atle Lie McGrath ficou inconsolável após tropeçar e cair na floresta, literalmente, nesta segunda-feira (16).
O norueguês McGrath, na esperança de conquistar o ouro em homenagem ao seu avô, que faleceu no dia da cerimônia de abertura, tinha uma vantagem confortável de 0,59 segundos após uma primeira etapa impecável disputada em meio a uma forte nevasca.
O campeão mundial de slalom, Meillard, segundo mais rápido na primeira descida, fez uma segunda tentativa arrasadora, aumentando a pressão sobre McGrath, o último dos 30 melhores a descer.
Com o ouro à vista e precisando de apenas cerca de 50 segundos de esqui consistente, McGrath tropeçou num portão logo no início da sua descida, desperdiçando a sua oportunidade e deixando a equipe suíça celebrar a quarta medalha de ouro nas cinco provas masculinas em Bormio.
“Dia louco, Olimpíadas loucas. Conseguir três provas, três medalhas e, para completar, uma de ouro, é perfeito”, disse Meillard, que também ganhou prata na prova combinada por equipes e bronze no super-G.

No entanto, tudo aquilo foi demais para o desolado McGrath, que havia falado com carinho sobre como seu avô, Svein Lie, falecido aos 83 anos, tinha sido sua inspiração .
Jogando fora seus esquis e bastões, o líder da Copa do Mundo de slalom atravessou a encosta com passos firmes e caminhou pela neve até as árvores próximas para ficar sozinho com seus pensamentos.
Minutos depois, ainda furioso, ele foi escoltado de volta à área de chegada em uma moto de neve da polícia, saindo de lá sem dizer uma palavra.
Embora a atenção estivesse voltada para o sofrimento de McGrath, nascido nos EUA, a magnífica atuação de Meillard não pode ser ignorada. Sua segunda descida foi sensacional, com uma vitória por 0,35 segundos sobre o austríaco Fabio Gstrein.
O experiente companheiro de equipe de McGrath, Henrik Kristoffersen, ficou 1,13 segundos atrás, conquistando o bronze, repetindo seu resultado de Sochi em 2014.
Meillard, o primeiro suíço a vencer o slalom desde Edy Reinalter nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1948 — quando o slalom foi disputado pela primeira vez — voltará para casa com uma coleção completa de medalhas, que se somará ao seu título mundial de slalom conquistado no ano passado.
“Somos todos amigos e sabemos o quão difícil pode ser o slalom”, disse Meillard, quando questionado se as circunstâncias de sua vitória lhe deixaram com sentimentos contraditórios.
“Mas quando estamos no portão de largada, todos queremos vencer uns aos outros. Tenho quase certeza de que Atle vai se sair muito bem. Ele também teria merecido. Ele foi o melhor esquiador desta temporada, mas isso faz parte do slalom, faz parte do esporte.”
Mau tempo deixa marcas
O norueguês Timon Haugan terminou no temido quarto lugar, embora sua frustração não se comparasse à de McGrath.
“Só consigo imaginar o quão triste deve ser. Ele estava fazendo tudo perfeito, se colocou em posição de ganhar o ouro olímpico. Ele fez tudo certo e então isso acontece em 15 segundos. É de partir o coração”, disse ele.
A última prova do programa de esqui alpino masculino começou em condições climáticas terríveis, com neve pesada dificultando a visibilidade em um percurso que havia sido descrito como “fácil” antes da competição.
No entanto, provou ser tudo menos isso, já que apenas 44 dos 96 inscritos conseguiram completar a primeira descida.
A maior baixa foi Lucas Pinheiro Braathen, já que as esperanças do brasileiro nascido na Noruega de conquistar a dobradinha dourada após sua histórica vitória no slalom gigante terminaram com sua queda.
“Nossa, esse esporte… Ele te leva às alturas e te joga de volta à realidade com a mesma rapidez”, disse ele.
Essas palavras provaram ser proféticas cerca de uma hora depois, quando seu ex-companheiro de equipe e amigo próximo, McGrath, sofreu uma decepção devastadora.
“No fim das contas, isso não vai definir o futuro da carreira dele”, disse Kristoffersen. “O que é o esporte sem emoção?”
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Fonte : CNN