Os desfiles de escolas de samba do Grupo Especial no Rio de Janeiro começaram na noite deste domingo (15) com Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira passando pelo Sambódromo Marquês de Sapucaí.
Cada escola faz apresentações de cerca de uma hora e meia, com temas que passam por política, música e cultura afro-brasileira. Os desfiles começaram por volta das 22h30 e seguem durante a madrugada de segunda-feira (16).
Acadêmicos de Niterói
A primeira escola a entrar no sambódromo foi a Acadêmicos de Niterói, estreante no grupo Especial após ter conquistado o título da Série Ouro de 2025, com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil“. O tema foi desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins e o enredista Igor Ricardo.
A rainha de bateria da escola foi a estreante Vanessa Rangeli. Dias antes de entrar na avenida, o tema da agremiação gerou questionamentos sobre possível propaganda eleitoral antecipada, já que Lula é pré-candidato à reeleição.
Lula acompanhou o desfile direto da Marquês de Sapucaí, no camarote do Executivo municipal, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD), ministros e aliados. Ao lado de Paes, Lula desceu para o segundo recuo da bateria. Viu a comissão de frente passar na pista e beijou o pavilhão da escola.
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Durante o desfile, uma mulher, de 65 anos, apresentou quadro de síncope enquanto estava no segundo carro alegórico da escola. A vítima foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), retirada e encaminhada ao posto médico instalado no local para avaliação e atendimento.
Imperatriz Leopoldinense
O tema escolhido pela Imperatriz Leopoldinense para 2026 foi o cantor Ney Matogrosso. O enredo, batizado de “Camaleônico”, celebrou um dos mais importantes cantores da MPB, exaltando “a obra e a virtuosidade performática do intérprete de sucessos como “Sangue Latino”, “Rosa de Hiroshima”, “O Vira”, “Homem com H” e “Metamorfose Ambulante”.
O responsável pelo desfile que aconteceu na Sapucaí, foi o carnavalesco Leandro Vieira, que, de acordo com a escola, “segue em seu propósito de ancorar em seus carnavais leopoldinenses a diversidade da cultura brasileira”.
Com um macacão com pedrarias verdes e seus tradicionais adereços de cabeça dourados, o artista participou do desfile em um dos carros alegóricos. Ele participou de todo o processo da produção do samba-enredo junto à agremiação.
Durante a passagem da agremiação, a rainha de bateria, Iza, encantou o público ao lado das musas Carmem Mondego e Tati Rosa.
A escola teve um contratempo com um de seus carros alegóricos. A agremiação encontrou dificuldades para posicionar o destaque no alto da alegoria, o que acabou atrasando o desfile e provocando um espaço vazio na avenida.
Portela
Terceira agremiação a desfilar na Sapucaí na madrugada desta segunda-feira (16), a Portela apresenta o samba enredo “O mistério do príncipe do Bará – a oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”.
A agremiação conta a história do Rio Grande do Sul a partir de Custódio Joaquim de Almeida, príncipe do Benin que passou a viver na região. Sua influência foi decisiva para a comunidade negra, contribuiu para o fortalecimento do Batuque e inspirou diferentes gerações do movimento negro.
Durante o desfile, a comissão de frente levou para a Sapucaí um “drone gigante” — e tripulado. Durante a apresentação, um integrante montado decolou, sobrevoando os demais bailarinos.
Veja o momento:
CARA, TEM ALGUÉM VOANDO NA COMISSÃO DE FRENTE DA PORTELA
QUE ISSO, MANÉ???#CarnavalVDS pic.twitter.com/8D7j2ZNbQ6
— Voz do Samba 🥁 🎙️ (@vozdosamba_) February 16, 2026
O último carro alegórico da escola entrou na avenida com atraso, gerando um buraco na Sapucaí. O desfile da agremiação precisou ficar paralisado por um longo tempo para esperar que o carro alcançasse o desfile, o que pode gerar descontos na pontuação da Portela.
Nos últimos minutos, a centenária Portela precisou acelerar a saída da avenida para não estourar o tempo e completou a travessia faltando um minuto para o limite de 80 minutos.
Estação Primeira de Mangueira
A Mangueira trouxe tradições afro-indígenas da Amazônia ao contar a história do Mestre Sacaca, um grande curandeiro do estado do Amapá.
“Mestre Sacaca do Encanto Tucuju — O Guardião da Amazônia Negra” foi conduzido pelo carnavalesco Sidnei França, que foi para o segundo ano na verde e rosas, e pelos pesquisadores Sthefanye Paz e Felipe Tinoco.
“Evocamos a força das populações tradicionais, bebendo da sabedoria ancestral de um dos seus maiores expoentes, quem nos guia por essa Amazônia Negra do povo e do jeito Tucuju: Mestre Sacaca. Sob os pés do amapazeiro, é ele um Xamã Babalaô!”, disse o texto postado nas redes sociais da agremiação.
O desfile teve um início impactante com a comissão de frente, que trouxe as forças ancestrais em um ritual de saudação à natureza. A escola usou fantasias de onças que brilhavam no escuro, criando um efeito visual marcante enquanto invocava o xamã Babalaô, manifestado na figura do próprio Mestre Sacaca, o “Doutor da Floresta”.
Ao longo da avenida, a escola apostou por um samba-enredo que permitiu à bateria realizar diversas paradinhas, empolgando o público nas arquibancadas.
No entanto, o encerramento do desfile foi marcado por um momento de tensão na Praça da Apoteose. Um dos carros alegóricos colidiu contra a base do monumento da dispersão e acabou travando, impedindo a passagem das outras composições.
Para liberar o fluxo e evitar maiores prejuízos, os componentes da agremiação precisaram desmontar partes da estrutura da alegoria manualmente. Apesar do incidente para remover o veículo, a Mangueira conseguiu concluir sua passagem dentro do tempo regulamentar, fechando o primeiro dia de Carnaval.
*publicado por Jonathan Pereira, em colaboração para a CNN Brasil
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Fonte : CNN