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Em meio a uma nevasca que assolava o centro da Ucrânia no mês passado, Iryna Vlasenko se viu em um dilema.

Ela precisava levar a filha de sete anos, que estava gravemente doente, a um hospital infantil em Kiev. Mas não conseguia chegar à estação ferroviária principal em Khmelnytskyi, a mais de 300 quilômetros da capital.

Então, desesperada, enviou uma mensagem de texto para a operadora ferroviária ucraniana. Será que o trem poderia parar em sua vila, Korzivtsi?

Pouco tempo depois, recebeu uma resposta: “Olá! Vamos parar o trem em Korzivtsi.”

Iryna conseguiu embarcar sua filha no trem na manhã seguinte.

A história dela é uma entre muitas que mostram como a companhia ferroviária estatal da Ucrânia – Ukrzaliznytsia – se tornou uma tábua de salvação vital para os ucranianos em tempos de guerra: para soldados que retornavam de licença, para o transporte de suprimentos, para o fornecimento de unidades médicas móveis e para conectar o mundo exterior a Kiev e outras cidades.

A linha férrea entre Kiev e a fronteira com a Polônia também transportou dezenas de líderes estrangeiros para a capital ucraniana durante a guerra, geralmente à noite, e levou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e seus ministros para fora da Ucrânia enquanto buscavam apoio internacional.

O presidente Joe Biden caminha por um corredor em direção à sua cabine em um trem após uma visita surpresa ao presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy, em 20 de fevereiro de 2023, em Kiev. Biden fez uma viagem de trem de quase 10 horas da Polônia até Kiev • Evan Vucci/Reuters via CNN Newsource
O presidente Joe Biden caminha por um corredor em direção à sua cabine em um trem após uma visita surpresa ao presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy, em 20 de fevereiro de 2023, em Kiev. Biden fez uma viagem de trem de quase 10 horas da Polônia até Kiev • Evan Vucci/Reuters via CNN Newsource

Ainda não há voos comerciais de entrada ou saída da Ucrânia.

Nos últimos meses, a Rússia intensificou as ofensivas com drones contra centros ferroviários e infraestrutura, e até mesmo contra os próprios trens.

No final de janeiro, cinco pessoas morreram quando drones atingiram um trem de passageiros na região de Kharkiv, incendiando três vagões.

Um vídeo do local mostrou um soldado ajudando no resgate de uma mulher e seu bebê. A mulher estava levando a criança para ver o pai.

A rota transporta militares que retornam de licença, mas também muitos civis.

Ao publicar um vídeo de um dos vagões em chamas, Zelensky afirmou: “Não há, e não pode haver, nenhuma justificativa militar para matar civis em um vagão de trem”.

Desde o início da guerra, quase 100 funcionários ferroviários foram mortos, segundo a Ukrzaliznytsia.

Os ataques russos à extensa rede ferroviária da Ucrânia são motivados, em parte, por sua importância econômica, mas também visam causar um impacto psicológico.

O Ministério das Relações Exteriores da França declarou na semana passada que os repetidos ataques à rede ferroviária “demonstram o desejo da Rússia de destruir a infraestrutura civil ucraniana e fazem parte do mesmo padrão de terror dos ataques à rede de energia ucraniana”.

“Todos entendem o quão simbólico e importante é para os ucranianos nas comunidades da linha de frente que as conexões ferroviárias sejam mantidas”, afirmou Oleksandr Pertsovskyi, CEO da Ukrzaliznytsia.

Pertsovskyi disse à CNN que houve mais ataques russos à infraestrutura ferroviária no ano passado – 1.195 – do que nos dois anos anteriores juntos, incluindo a destruição direcionada de dezenas de subestações de energia.

Depósitos de locomotivas e entroncamentos ferroviários também foram alvos, falou ele, assim como linhas férreas em locais como Odessa, para prejudicar as exportações ucranianas. Às vezes, dezenas de drones russos atacavam o mesmo local, segundo Pertsovskyi.

Em um único dia recente, houve sete ataques de drones à mesma estação ferroviária, segundo a primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko.

“A Rússia está atacando deliberadamente nossas rotas logísticas – isso é terrorismo deliberado contra pessoas e logística civil”, escreveu ela no Telegram.

A estação atacada fica no movimentado corredor ferroviário que liga Zaporizhzhia, no sul, a Dnipro.

Nesta foto fornecida pelo Serviço de Emergência da Ucrânia, bombeiros combatem o incêndio após drones russos atingirem um trem de passageiros na região de Kharkiv, em 27 de janeiro • Serviço de Emergência Ucraniano/AP via CNN Newsource
Nesta foto fornecida pelo Serviço de Emergência da Ucrânia, bombeiros combatem o incêndio após drones russos atingirem um trem de passageiros na região de Kharkiv, em 27 de janeiro • Serviço de Emergência Ucraniano/AP via CNN Newsource

Governo tenta manter trens em circulação

Locomotivas e vagões, bem como a própria linha, foram danificados no ataque com drones, obrigando a Ukrzaliznytsia a implementar serviços de ônibus alternativos para conectar as cidades.

Em outras áreas, os trens fazem paradas de emergência se houver aviso de um ataque iminente.

Oleksandr Pertsovskyi, CEO da Ukrzaliznytsia disse à CNN que o objetivo dos russos era “cortar corredores inteiros ou regiões inteiras, como Donetsk, Sumy e Chernihiv”, no norte e leste do país.

Muitos soldados que lutavam no leste costumavam pegar trens nos importantes centros de transporte de Kramatorsk e Sloviansk, em Donetsk, quando saíam de licença.

Mas, à medida que as linhas de frente se aproximavam das duas cidades, a Ukrzaliznytsia suspendeu os serviços ferroviários para ambas em novembro.

A Ukrzaliznytsia está respondendo à intensidade e à crescente precisão dos ataques russos tentando proteger pontos críticos do sistema ferroviário e enviando equipes de recuperação rápida.

Em um dia de janeiro, “tivemos quatro pontes destruídas, e elas foram reconstruídas em 10 horas”, falou Pertsovskyi. “É preciso muitos recursos para ter os materiais necessários para a restauração, as equipes adequadas e os equipamentos certos.”

Tanto a companhia ferroviária quanto o governo estão determinados a manter os trens em circulação, por considerá-los parte crucial da resistência ucraniana.

“A Rússia pode destruir trilhos e vagões, mas não pode quebrar o sistema que mantém o país unido”, disse o vice-primeiro-ministro Oleksiy Kuleba na semana passada.

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Fonte : CNN

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