O ator Lázaro Ramos, 47, e o diretor Allan Deberton, 43, detalharam à revista americana Variety a concepção de “Feito Pipa”, filme que integra a programação do Festival de Berlim, na Alemanha.
Em entrevista publicada neste sábado (14) pela repórter Rafa Sales Ross, a dupla discutiu o tom sensível da obra, que acompanha um menino cujos interesses divergem das expectativas tradicionais do ambiente onde vive, no interior do Ceará.
A publicação na Variety ocorre em um momento de destaque para o cinema nacional: a um mês da cerimônia do Oscar 2026, onde o amigo de longa data de Lázaro, Wagner Moura, concorre ao prêmio de Melhor Ator por “O Agente Secreto”.
O filme de Kleber Mendonça Filho também disputa as categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Elenco.
À repórter da publicação, Lázaro celebrou o atual momento da produção nordestina, citando nomes como Kleber Mendonça Filho, Gabriel Mascaro e Karim Aïnouz.
Sobre Wagner Moura, com quem dividiu telas em diversas ocasiões, Lázaro expressou um “enorme sentimento de orgulho” pela trajetória internacional do colega.
História do filme
Sob o sol do Nordeste, “Feito Pipa” apresenta Gugu, um menino que, em vez de jogar futebol com os outros garotos, dedica sua energia a ensaiar números de dança na beira do campo.
De acordo com o diretor, Deberton, a escolha do protagonista foi o maior desafio do projeto. Foram testadas mais de 600 crianças até chegarem ao estreante Yuri Gomes.
O diretor explicou à repórter da Variety que buscava uma combinação rara de fragilidade, força e uma energia interna vibrante. Yuri, que vem do Projeto Axé na Bahia, foi descrito como alguém capaz de “manter a emoção sem precisar performá-la”, fazendo com que o silêncio parecesse vivo em cena.
Lázaro Ramos, que interpreta Batista, o pai do menino, reforçou o impacto do jovem talento em depoimento à Variety.
“Houve identificação e, ao mesmo tempo, uma rejeição em relação ao personagem, o que foi fascinante de observar. Sinto que são momentos raros em que o personagem escolhe o seu ator.”
Identidade e cinema humanista
Para Lázaro, participar de “Feito Pipa” ressoa com outros marcos de sua trajetória, como “Madame Satã” (2002) e “Cidade Baixa” (2005).
O ator descreveu a obra como o tipo de “cinema humanista” que mais aprecia. Ele destacou que, após o período da pandemia, houve uma tendência de mercado em realizar filmes que nem sempre investigavam a fundo a linguagem do cinema brasileiro ou as histórias que o país desejava contar.
O roteiro, assinado por Deberton e André Araújo, nasceu de memórias pessoais da infância de ambos em Russas, no Ceará. Allan Deberton revelou que tanto ele quanto o roteirista foram crianças que se sentiam “fora do lugar” e que foram criadas, em grande parte, pelas avós.
Essa dinâmica familiar é central na trama. A veterana Teca Pereira interpreta Dilma, a avó de Gugu, cuja vida social intensa é interrompida por um quadro de demência que avança rapidamente.
Deberton confessou à repórter da Variety que ter Teca no elenco era um desejo desde o início da escrita do roteiro. Já a entrada de Lázaro Ramos ocorreu de forma espontânea, após o ator assistir à estreia de “Pacarrete” (primeiro longa de Deberton, de 2019) e manifestar interesse em trabalharem juntos.
A produção é assinada pela Biônica Filmes e Deberton Filmes, em coprodução com a Warner Bros. Pictures Brasil. A distribuição nacional ficará a cargo da Paris Filmes.
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Fonte : CNN