Como a maioria dos jovens brasileiros, Lucas Pinheiro Braathen cresceu querendo imitar os lendários jogadores de futebol do país e, quem sabe, um dia vestir a famosa camisa amarelinha.
Neste sábado (14), ele se tornou o mais novo — e improvável — herói esportivo do Brasil ao vencer, em uma pista nevada nos Alpes italianos, a primeira medalha de ouro do país em Jogos Olímpicos de Inverno e também a primeira medalha de qualquer cor para um sul-americano.
Sua vitória impressionante no slalom gigante foi mais um marco na trajetória notável do atleta de 25 anos, cujo estilo “samba” de esquiar conquistou o mundo dos esportes de inverno.
“Eu não cresci como esquiador, cresci como jogador de futebol. Foi assim que comecei no esporte”, disse o norueguês de nascimento após vencer por 0,58 segundo o suíço Marco Odermatt, favorito e atual campeão.
Da inspiração no futebol ao ouro olímpico
“Quando visitava minha família no Brasil, meus primeiros ídolos foram Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e aqueles jogadores que realmente transformaram o futebol e o esporte em geral, ao ousarem ser quem são.”
“Isso me inspirou a ter coragem de dizer ao meu pai, quando eu tinha seis ou sete anos, que queria ser o melhor jogador de futebol do mundo.”
“Agora, de alguma forma, sou esquiador. Mas pelo menos sou campeão.”
Pinheiro Braathen passou a viver com a mãe brasileira, Alessandra, aos três anos, após a separação dos pais, mas depois voltou para a Noruega, onde começou a praticar esqui — inicialmente sem grande entusiasmo.
Após integrar a equipe norueguesa e se especializar no slalom, conquistou o Globo da Copa do Mundo na disciplina em 2023. Pouco depois, surpreendeu ao anunciar aposentadoria, admitindo em documentário recente que o esqui o deixava infeliz.
Retorno histórico com as cores do Brasil
Tudo mudou quando retornou ao circuito da Copa do Mundo em 2024, defendendo o Brasil e com a missão de expandir o esqui alpino além de seus redutos tradicionais.
“Decidi voltar porque encontrei a possibilidade de competir nos meus próprios termos”, afirmou à época. “Deixei claro que voltava para fazer história e para ser o melhor.”
Em novembro, no alto do Círculo Polar Ártico, na Finlândia, começou a cumprir a promessa ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer uma etapa da Copa do Mundo — suas cinco vitórias anteriores haviam sido pela Noruega.
Apesar de ocupar a segunda posição no ranking geral da Copa do Mundo, atrás apenas de Odermatt, o especialista em slalom ainda não havia voltado ao topo do pódio. Até sábado.
Emoção e reconhecimento
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos primeiros a parabenizar o novo herói do esporte brasileiro, que também recebeu uma ligação do italiano Alberto Tomba, lenda do slalom.
As lágrimas vieram quando o animado hino brasileiro ecoou pela primeira vez na história em Jogos de Inverno, enquanto ele se envolvia na bandeira.
“As emoções que sinto agora são como um sol interno que brilha intensamente dentro de mim e para muitas pessoas”, disse o sempre reflexivo Pinheiro Braathen. “É essa luz que me deu a força para ser o mais rápido do mundo hoje e me tornar campeão olímpico.”
“Espero que essa luz brilhe sobre outras pessoas, que as inspire a seguir sua própria luz, seu próprio coração e confiar em quem são.”
Refletindo sobre o que descreve como um caminho por vezes difícil e solitário, concluiu: “Se eu não tivesse feito todas as escolhas que fiz, se tivesse seguido o caminho convencional, nunca estaria sentado aqui hoje.”
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Fonte : CNN