Durante o Carnaval de São Paulo de 2026, ambulantes denunciam a prática de venda de lugares na fila de credenciamento para atuação nos blocos de rua. Segundo os trabalhadores, os valores cobrados variam de R$ 100 a R$ 600 por posição.
No início das comemorações, neste sábado (14), vendedores relataram à CNN Brasil que a situação ocorre há cerca de quatro anos.
“A pessoa vem e compra o lugar na fila de quem dormiu lá por dois dias. Isso já entra como grupo criminoso”, afirmou o ambulante credenciado Paulo Henrique Nascimento.
De acordo com ele, são criados grupos para organizar a comercialização das vagas. Algumas pessoas chegam até três semanas antes do feriado para garantir posições que, depois, seriam revendidas a grupos que podem reunir até 70 integrantes.
Paulo também relata que essas pessoas permanecem em frente ao local de credenciamento, chamando grupo por grupo para entrar.
Outro ambulante, Fernando Olivei Silva, disse à CNN Brasil que não há um sistema de distribuição de senhas para quem chega dois dias antes do início dos blocos. “Nós, que ficamos de dois a três dias, corremos o risco de não entrar. Fica um homem com 42 carrinhos guardando vaga”, afirmou.
Segundo Fernando, as denúncias não resultam em mudanças, já que a prática se repete todos os anos. “Poderiam distribuir uma senha. A gente fica na expectativa de entrar e não sabe se vai conseguir. E aí já é um dia perdido”, disse.
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Audrey Negreiros, outra ambulante credenciada, afirmou que já formalizou denúncia à prefeitura, mas não houve retorno. Ela também declarou que nem a polícia nem os fiscais estariam tomando providências. Ela ainda diz que os vendedores investem dinheiro para trabalhar
Em nota, a Polícia Militar informou que não foi acionada sobre o caso e que as equipes permanecem à disposição para atender foliões e ambulantes.
Procurada, a Prefeitura ainda não se manifestou sobre o caso. O espaço segue aberto para manifestação.
Venda de lugares em filas
O advogado Vinicius Primazzi Monteiro explicou à CNN Brasil que as penalidades para esse tipo de prática podem variar conforme o edital ou regulamento municipal, já que o credenciamento é organizado pela prefeitura.
“As penalidades vão depender do edital ou do ato administrativo publicado pela prefeitura, mas podem incluir a expulsão, a cassação da autorização e o impedimento de participação em futuros credenciamentos. Na esfera penal, vai depender da análise do caso concreto e da eventual instauração de processo”, afirmou.
Segundo o advogado, a conduta pode ser interpretada como fraude, simulação ou obtenção de vantagem indevida mediante artifício.
“Se houver reiteração desse tipo de prática, é possível cogitar até o enquadramento como exercício irregular de atividade econômica, dependendo da estrutura, do grau de organização e da conduta adotada”, completou.
*Sob supervisão de Thiago Félix
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Fonte : CNN