Lucas Pinheiro Braathen fez história neste sábado (14) ao conquistar a inédita medalha de ouro para o Brasil nas Olimpíadas de Inverno.
Em Milão-Cortina 2026, o atleta de 25 anos alcançou a marca total das duas descidas em 2m25s, após completar 1m11s08 na segunda descida na prova de slalom gigante.
Filho de mãe brasileira e pai norueguês, Lucas nasceu em Oslo, na Noruega, aos nove anos de idade seu pai apresentou ao esqui alpino. Aos 18 anos, já era destaque internacional, conquistando medalhas no Mundial Júnior pela Noruega.
Dificuldade na carreira
Em 2020, Lucas enfrentou o momento mais difícil da carreira, quando sofreu uma ruptura de ligamentos no joelho que o afastou por oito meses. No entanto, sua consolidação definitiva veio na temporada 2022/2023, garantindo o título de campeão no slalom pela Noruega.
A Escolha Pelo Brasil
Antes de trocar de bandeira, Lucas já era um dos grandes nomes do circuito mundial. Campeão da Copa do Mundo de slalom na temporada 2022-23, acumulou vitórias e pódios representando a Noruega, uma das maiores potências do esqui alpino.
Em 2023, anunciou aposentadoria precoce após divergências com a federação norueguesa envolvendo autonomia e direitos de imagem. Meses depois, surpreendeu ao voltar ao circuito defendendo o Brasil.
A decisão foi estratégica e simbólica. Estratégica porque encontrou mais liberdade para conduzir a própria carreira. Simbólica porque enxergou a chance de abrir um novo caminho.
“Eu queria falar uma coisa que tem uma importância maior do que só resultados. Trazer 200 milhões de pessoas para o esporte de inverno é importante. Eu quero ser uma inspiração. Não importa de onde você é. Não existem limitações, só oportunidades.”
A mudança dividiu opiniões na Noruega. Parte do público lamentou. Outra parte reconheceu a coragem. No Brasil, a recepção foi imediata e calorosa, ainda que acanhada pela baixa popularidade da modalidade no país.
Lucas acredita que parte do seu diferencial está justamente na formação híbrida.
“A mentalidade brasileira me ajudou a pensar fora da caixa. A achar jeitos novos de treinar, de esquiar. Esse jeito diferente sempre me ajudou nas competições.”
Fora das pistas, mantém rituais que reforçam essa identidade. Sempre que desembarca no país, a parada é quase obrigatória.
“A primeira coisa que eu faço quando entro no Brasil é comer pão de queijo e tomar guaraná. Sempre.”
Depois vêm o churrasco em família, o brigadeiro, a água de coco. Ele mesmo brinca que retorna à Europa um pouco acima do peso ideal de competição, mas diz que é o preço de se sentir inteiro.
“Eu vou estar no jornal no Brasil, e meus avôs vão ver o nome do neto deles. Isso é muito especial.”
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Fonte : CNN