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Steve Bannon, ex-conselheiro da Casa Branca durante o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discutiu estratégias de oposição com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein contra o papa Francisco, que morreu em 2025.

Bannon chegou a dizer que esperava “derrubar” o pontífice, segundo documentos recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA.

Mensagens trocadas entre os dois em 2019, reveladas no extenso vazamento de documentos do mês passado, mostram que Bannon cortejou o falecido magnata em suas tentativas de minar o pontífice após deixar o primeiro governo Trump.

O ex-conselheiro era extremamente crítico de Francisco, a quem considerava um opositor à sua visão “soberanista”, uma vertente do populismo nacionalista que varreu a Europa em 2018 e 2019.

Os documentos divulgados pelo Departamento de Justiça parecem mostrar que Epstein estava ajudando Bannon a construir seu movimento.

“Vamos derrubar (o papa) Francisco”, escreveu Steve Bannon para Jeffrey Epstein em junho de 2019. “Os Clintons, Xi, Francisco, a União Europeia – vamos lá, irmão.”

O papa Francisco representou um obstáculo significativo para o populismo nacionalista defendido por Bannon.

Em 2018, o ex-assessor de Trump descreveu Francisco ao The Spectator como “desprezível”, acusando-o de se aliar às “elites globalistas” e, segundo o “SourceMaterial”, instou Matteo Salvini, então vice-primeiro-ministro da Itália, a “atacar” o pontífice.

Por sua vez, Salvini utilizou iconografia (estudo, descrição e classificação de imagens, símbolos e temas artísticos) e linguagem cristãs em sua agenda anti-imigração.

Roma e o Vaticano foram importantes para Bannon. Ele estabeleceu uma sucursal em Roma quando dirigia o Breitbart News e esteve envolvido na tentativa de criar uma “escola de gladiadores” para treinamento político, visando defender os valores judaico-cristãos, não muito longe da Cidade Eterna.

Francisco, enquanto isso, representou um contrapeso à visão de mundo trumpista, criticando veementemente o nacionalismo e fazendo da defesa dos migrantes uma marca registrada de seu pontificado.

Bannon tenta comprometer a imagem do papa Francisco

Os arquivos do Departamento de Justiça dos EUA, divulgados recentemente, revelam que Bannon trocou mensagens com Epstein em diversas ocasiões, em uma tentativa de minar a imagem do falecido papa.

Em suas mensagens com Epstein, Bannon faz referência a “No Armário do Vaticano”, um livro de 2019 do jornalista francês Frédéric Martel que expôs o segredo e a hipocrisia nos altos escalões da Igreja.

Martel causou polêmica com seu livro ao afirmar que 80% do clero que trabalha no Vaticano é gay, e ao explorar como eles mantêm sua sexualidade em segredo.

A questão da homossexualidade na Igreja tem sido um ponto de discórdia para alguns conservadores, que a veem como evidência de uma crise sistêmica mais profunda na Igreja, alguns a ligando aos escândalos de abuso sexual.

A maioria dos especialistas e pesquisadores considera qualquer associação entre orientação sexual e abuso como cientificamente imprecisa.

Bannon demonstrou interesse em transformar o livro de Martel em um filme após se encontrar com o autor em um hotel cinco estrelas em Paris.

Nas mensagens, o ex-conselheiro parece sugerir que Epstein poderia ser o produtor executivo do filme. “Você agora é o produtor executivo de ‘ITCOTV’ (No armário do Vaticano)”, escreveu Bannon.

Não está claro o quão séria era a proposta de Bannon a Epstein e, na troca de mensagens, o magnata não menciona a oferta e pergunta sobre Bannon filmar Noam Chomsky, o filósofo e intelectual público. ,

O jornalista francês Frédéric Martel disse que, quando se encontrou com Bannon no Hotel Le Bristol, este lhe informou que não poderia concordar com nenhum acordo para o filme, pois seus editores detinham os direitos e já haviam fechado um contrato com outra empresa.

Ele disse à CNN que acredita que o ex-conselheiro da Casa Branca queria “instrumentalizar” o livro em seus esforços contra o papa Francisco.

Os arquivos de Epstein mostram que, em 1º de abril de 2019, o magnata enviou um e-mail para si mesmo “no armário do Vaticano” e, posteriormente, enviou a Bannon um artigo intitulado “papa Francisco ou Steve Bannon? Os católicos precisam escolher”, ao qual Bannon respondeu “escolha fácil”.

Austen Ivereigh, biógrafo do falecido papa, falou que Steve Bannon pensava que poderia usar o livro de Martel para constranger e prejudicar o pontífice, enquanto alegava “purificar” a Igreja. “Acho que ele avaliou mal a natureza do livro – e do papa Francisco”, disse Ivereigh à CNN.

No entanto, como agora se sabe, parece que Bannon estava enviando mensagens para Epstein vários anos após sua condenação em 2008 por crimes sexuais contra crianças e pouco antes de sua prisão por tráfico sexual de menores.

O padre Antonio Spadaro, um funcionário do Vaticano que colaborou de perto com Francisco, afirmou à CNN que as mensagens de Bannon mostram um desejo de fundir “autoridade espiritual com poder político para fins estratégicos”.

Spadaro explicou que Francisco resistiu a essa ligação: “O que essas mensagens revelam não é meramente hostilidade contra um pontífice, mas uma tentativa mais profunda de instrumentalizar a fé como arma – precisamente a tentação que ele buscava desarmar”.

Investigações no Vaticano

O período entre 2018 e 2019 foi marcado por intensa oposição a Francisco, que culminou na divulgação, em agosto de 2018, de um dossiê pelo arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico nos EUA, acusando-o de negligência no combate aos abusos cometidos pelo Cardeal Theodore McCarrick.

Uma investigação do Vaticano posteriormente inocentou Francisco.

Mas o desejo de Steve Bannon de transformar o livro de Martel em filme fez com que ele perdesse um aliado no Vaticano. O cardeal Raymond Burke, proeminente crítico conservador de Francisco, declarou: “Não sou de forma alguma a favor de que o livro seja adaptado para o cinema”.

Burke também foi retratado de maneira pouco lisonjeira no livro de Martel. O rompimento entre Burke e Bannon ocorreu quando ele cortou relações com a Dignitatis Humanae, um instituto conservador fundado por Benjamin Harnwell, assessor político britânico e associado próximo do ex-secretário, radicado na Itália.

Harnwell vinha trabalhando com Steve Bannon para criar uma academia para treinar líderes nacionalistas-populistas em um antigo mosteiro de 800 anos chamado “Certosa di Trisulti”, na província de Frosinone, a 75 quilômetros a sudeste de Roma.

Benjamin Harnwell está envolvido em uma batalha judicial com o Ministério da Cultura da Itália sobre a conversão do mosteiro, com uma audiência marcada para 11 de fevereiro.

Em 2019, o governo italiano revogou o contrato de arrendamento do mosteiro concedido ao instituto de Harnwell, alegando irregularidades, inadimplência e declarações falsas por parte de Harnwell. Em 2024, no entanto, um tribunal romano o inocentou, e ele busca recuperar o contrato.

Os arquivos de Epstein também revelam que Bannon encaminhou um e-mail para o magnata em julho de 2018 com um artigo do jornal italiano “La Repubblica” intitulado “Bannon, o Europeu: Ele está abrindo a fortaleza populista em Bruxelas”. Bannon estava encaminhando uma tradução em inglês do artigo, que havia sido originalmente enviado por Harnwell.

Harnwell disse à CNN que Epstein “não estava envolvido com Trisulti”.

Em outros documentos, Jeffrey Epstein brinca com seu irmão, Mark, sobre convidar o papa Francisco para sua residência para uma “massagem” durante a visita papal aos EUA em 2015. Três anos depois, ele envia uma mensagem a Bannon dizendo que está tentando “organizar uma viagem para o pontífice ao Oriente Médio”, acrescentando “título: tolerância”.

Quando Steve Bannon compartilha com Epstein um artigo sobre o Vaticano condenando o “nacionalismo populista”, o magnata cita o poema bíblico de John Milton, “Paraíso Perdido”, no qual Satanás é expulso do céu.

“Melhor reinar no inferno do que servir no céu”, diz Epstein a Bannon.

A CNN entrou em contato com um representante de Bannon para comentar o assunto. Trump sempre negou qualquer irregularidade em relação a Epstein ou qualquer alegação de má conduta sexual.

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Fonte : CNN

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