A Justiça de São Paulo negou o pedido de prisão de Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração, sócios da Academia C4 GYM, no Parque São Lucas, zona leste da capital paulista, onde uma aluna morreu depois de nadar na piscina, no sábado (7).
De acordo com o apurado pela CNN Brasil, o delegado entrará com um novo pedido de prisão. Segundo a Polícia Civil, ele se baseará no argumento de que os resultados da perícia ainda não chegaram para a nova solicitação.
Em nota, a defesa dos sócios afirmou que recebe a decisão com satisfação e que cumprirão fielmente todas as cautelares alternativas impostas pela Justiça.
Reiteramos que eles permanecem inteiramente à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos, em qualquer momento, confiando que a investigação prosseguirá de forma técnica, isenta e em estrita observância às garantias constitucionais.
Sócio apagou mensagens
Em depoimento à Polícia Civil, Celso confessou ter excluído mensagens de celular trocadas com o funcionário Severino, responsável pela manutenção da piscina.
Questionado pelas autoridades sobre a existência de conversas apagadas, Celso confirmou a ação. Ele justificou o ato alegando um momento de instabilidade emocional informou que “tão logo soube que a aluna Juliana tinha falecido acabou ficando desesperado e sem pensar acabou apagando algumas mensagens”.
Apesar da exclusão dos registros digitais, o empresário sustentou que o conteúdo das conversas não era comprometedor, sendo apenas procedimentos técnicos de rotina.
Segundo seu relato, os textos diziam respeito apenas a “tratativas normais com Severino”, especificamente sobre “medições e dosagens de cloro aplicadas na piscina”.
Celso afirmou ainda no interrogatório que, apesar de ter deletado o histórico, o relato que prestou à polícia reflete o verdadeiro teor das conversas.
Academia recusou contratar empresa para cuidar de piscina
O sócio ainda revelou que optou por não contratar uma empresa especializada para a manutenção fixa da piscina, mesmo após o local ter enfrentado problemas técnicos no início de 2025.
Segundo o relato do empresário, no começo do ano passado, a água da piscina começou a ficar turva e o tratamento com cloro parou de surtir efeito, o que resultou na suspensão das aulas e no fechamento temporário do espaço.
Para resolver a situação emergencial, Celso contratou um serviço terceirizado, que atuou no local por alguns dias até restabelecer a qualidade da água.
Celso admitiu às autoridades que, após esse episódio, recebeu uma proposta da referida empresa para assumir definitivamente a manutenção da piscina. No entanto, he recusou a oferta
A justificativa apresentada no inquérito foi a de que ele “decidiu continuar como responsável pela manutenção da piscina por entender que não seria necessária a contratação de uma empresa para isso”.
Veja o que se sabe sobre o caso
Também nesta quarta-feira (11) a Polícia Civil indiciou por homicídio os três proprietários da academia.
A investigação apura a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, e a intoxicação de outras seis pessoas após uma aula de natação realizada no último sábado (7).
Juliana sofreu uma parada cardíaca e morreu após ser socorrida e encaminhada a um hospital de Santo André. Entre os sobreviventes, o marido da professora e um adolescente de 14 anos foram internados em unidades de terapia intensiva.
Outras duas pessoas receberam atendimento médico, e uma criança de 5 anos passou mal durante a aula no mesmo local, sendo posteriormente incluída na lista de vítimas.
Veja imagens da academia
De acordo com relatos, os alunos perceberam um forte odor químico na piscina, seguido de ardência nos olhos, nariz e pulmões, além de náuseas e vômitos.
As investigações indicam que a intoxicação foi provocada pela exposição a cloro adulterado, misturado a uma substância ainda não identificada, o que teria provocado uma reação química tóxica na água.
Imagens de câmeras de segurança mostram o manobrista do estabelecimento manuseando baldes e aplicando produtos químicos na piscina. Veja:
Em depoimento, o funcionário afirmou não possuir qualificação técnica para a tarefa e declarou que apenas cumpria ordens da gerência. Segundo ele, ao informar sobre o mal-estar dos alunos, recebeu como resposta do proprietário a frase “paciência”.
Após o incidente, a Subprefeitura da Vila Prudente interditou preventivamente a academia por falta de alvará de funcionamento. Também foram constatadas outras irregularidades, como a existência de dois CNPJs registrados no mesmo endereço e condições consideradas precárias de segurança.
A polícia informou que, depois do ocorrido, os responsáveis fecharam o estabelecimento e deixaram o local sem acionar as autoridades, embora a academia esteja situada em frente ao 42º Distrito Policial. Para realizar a perícia e coletar amostras da água da piscina, os agentes precisaram arrombar o imóvel.
O caso segue sob investigação e aguarda os laudos do IC (Instituto de Criminalística) e do IML (Instituto Médico-Legal). Em nota, a direção da C4 Gym afirmou que lamenta o ocorrido e que está colaborando com as autoridades.
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Fonte : CNN