O Iraque está em negociações com outros países, incluindo estados árabes e muçulmanos, para repatriar integrantes presos do Estado Islâmico, disse o ministro das Relações Exteriores, Faud Hussein.
Além disso, os militares dos Estados Unidos disseram ter concluído uma missão para transferir milhares de prisioneiros do Estados Islâmico da Síria para o Iraque.
Em entrevista à agência Reuters, à margem da Conferência de Segurança de Munique, Fuad Hussein afirmou que Bagdá precisaria de ajuda financeira para lidar com o fluxo migratório e que estava preocupado com o aumento das atividades do Estado Islâmico na Síria, logo além da fronteira.
O Estado Islâmico tomou o controle de grandes áreas da Síria e do Iraque em 2014, antes de ser expulso pelas forças da coalizão liderada pelos EUA cinco anos depois.
Muitos dos combatentes foram detidos, embora remanescentes do grupo jihadista ainda estejam em atividade.
“Acredito que cerca de 3.000 já foram transferidos para prisões iraquianas. Portanto, o processo começou e estamos dando continuidade a ele”, disse Faud Hussein nesta sexta-feira (13).
Em um comunicado separado, o CENTCOM (Comando Central dos EUA) afirmou que as forças armadas americanas concluíram sua missão na Síria após transferir 5.700 prisioneiros adultos do sexo masculino ligados ao Estado Islâmico para o Iraque.
Em janeiro, o Comando Central havia anunciado a expectativa de transferir 7.000 presos.
As autoridades iraquianas não responderam de imediato para esclarecer a diferença entre os números apresentados por Hussein e pelo Comando Central.
Ressurgimento do Estado Islâmico na Síria
O rápido colapso das forças curdas, que defendiam a autonomia no nordeste da Síria desde o fim da guerra civil no final de 2024, aumentou os temores quanto à segurança das prisões e campos de detenção para combatentes do Estado Islâmico.
“Também começamos a conversar com alguns países para que eles possam nos fornecer apoio financeiro, porque se esses milhares de terroristas permanecerem no Iraque por muito tempo, quero dizer, em termos de segurança, é muito perigoso, então precisamos do apoio de vários países”, disse Faud Hussein na entrevista.
Ele afirmou que também começaram as discussões com alguns países árabes e muçulmanos para receber de volta os combatentes de suas respectivas nacionalidades, embora os países europeus continuem hesitantes, porque seus sistemas jurídicos podem permitir que os combatentes sejam libertados da prisão mais cedo.
“Já começamos a conversar com vários países para que, em breve, eles recebam de volta seus cidadãos, porque, no fim das contas, eles são de outros países”, acrescentou.
Hussein também alertou que houve um aumento recente nas atividades do Estado Islâmico na Síria, após a ofensiva do governo de Damasco ter desmantelado as forças das FDS (Forças Democráticas Sírias), lideradas pelos curdos, no nordeste da Síria.
“Quanto às atividades do Estado Islâmico na Síria, estamos realmente preocupados porque eles estão do outro lado da fronteira e têm se tornado muito ativos recentemente”, disse ele.
“Acho que tem a ver com o recente conflito entre as Forças Democráticas da Síria e o governo ou o exército sírio. Ao mesmo tempo, há muitas pessoas dentro da Síria que acreditam nessa ideologia.”
Alerta dos EUA
Embora os Estados Unidos estejam ajudando o Iraque a lidar com a questão, Faud Hussein reconheceu que, apesar das relações geralmente boas, houve algumas tensões.
Em janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou o Iraque de que, se escolhesse o ex-primeiro-ministro Nouri al-Maliki, apoiado pelo Irã, para reassumir o cargo, Washington deixaria de ajudar o importante produtor de petróleo e aliado próximo.
“Este é um problema interno”, disse Hussein ao ser questionado sobre os comentários de Trump. “Estamos tentando lidar com isso. É claro que levamos muito a sério qualquer sinal vindo de Washington, mas vamos resolver a situação.”
Ele acrescentou que a saída das tropas americanas do Iraque ainda estava prevista para o final de 2026.
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Fonte : CNN