Consumidores que buscam ingressos para acesso ao Parque da Mônica, parque temático localizado na zona sul de São Paulo, estão sendo alvo de uma rede de fraudes digitais que usa de páginas falsas para aplicar golpes financeiros.
Segundo denúncias recebidas pela CNN Brasil, as vítimas eram direcionadas às chamadas “páginas espelho”, na qual as fraudes replicam de forma fiel a identidade visual, logotipos e dados de sites oficiais, como o do Parque da Mônica, com o objetivo de enganar o usuário e desviar pagamentos para contas de terceiros.
Entenda o fluxo do golpe
- Buscas por ingressos: ao pesquisar pelo site do parque em buscadores como o Google, os consumidores encontram anúncios patrocinados no topo da página, os quais aparecem em primeiro plano, inclusive se sobrepondo link do site oficial;
- Aparência de Legitimidade: a página é clonada praticamente “na íntegra” pela rede de fraude, fator que gera uma falsa sensação de confiança no site. A CNN Brasil realizou um comparativo entre o site oficial e o site fraudado do parque. Veja:
- Redirecionamento: URLs com pequenas alterações (como o uso de .com em vez de .com.br ou inclusão de siglas extras no meio do endereço) redirecionam as buscas dos usuários para os sites que sejam fraudados;
- Pagamento: a vítima finaliza a compra via Pix ou boleto sem perceber que o valor não é destinado para a empresa oficial, mas sim para uma pessoa física ou jurídica terceira, fator que impossibilita a entrega do produto real [nesse caso, o ingresso para acesso ao parque].
Responsabilidade das plataformas de busca
Em entrevista à CNN Brasil, Marco Antônio Araújo Júnior, presidente da Comissão Nacional de Direito do Turismo, Mídias e Entretenimento da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), afirmou que as plataformas de busca, como o Google, não possuem responsabilidade imediata pelos anúncios de sites falsos.
Segundo ele, isso acontece por conta da “natureza aberta” dos sistemas dessas plataformas, fator que impede a verificação prévia de cada link sem que isso configure uma “forma de censura”.
. Se o site não tirar do ar aquele anúncio que é falso, ele pode ser “responsabilizado” apenas depois que há uma reclamação ou notificação para o site de busca, que se torna possível que a plataforma faça uma apuração [sobre o caso denunciado]. Se o site não tirar do ar aquele anúncio que é falso, ele pode ser responsabilizado”. A responsabilidade é de quem usou aquele site de anúncio para promover algo sem autorização […] Apenas depois que há uma reclamação ou notificação para o site de busca, que se torna possível que a plataforma faça uma apuração [sobre o caso denunciado].”]Apenas depois que há uma reclamação ou notificação para o site de busca, que se torna possível que a plataforma faça uma apuração [sobre o caso denunciado]. Se o site não tirar do ar aquele anúncio que é falso, ele pode ser “responsabilizado” apenas depois que há uma reclamação ou notificação para o site de busca, que se torna possível que a plataforma faça uma apuração [sobre o caso denunciado]. Se o site não tirar do ar aquele anúncio que é falso, ele pode ser responsabilizado”. A responsabilidade é de quem usou aquele site de anúncio para promover algo sem autorização […] Apenas depois que há uma reclamação ou notificação para o site de busca, que se torna possível que a plataforma faça uma apuração [sobre o caso denunciado].
Assim, de acordo com o especialista, é fundamental que o consumidor ou a empresa vítima realizem uma reclamação oficial junto ao site de buscas para que a plataforma tome as medidas necessárias e passe a responder legalmente pelo caso.
Procurada, a Google afirmou que tem políticas claras que definem como anunciar no “Google Ads”. Leia a nota na íntegra:
“Temos políticas claras que definem como anunciar no Google Ads. Tais políticas incluem, por exemplo, proibição de anúncios desonestos, que possam enganar outros usuários. Quando identificamos uma violação, agimos imediatamente.
No Brasil, apenas em 2024, 201 milhões de anúncios foram removidos e 1,3 milhão de contas de anunciantes foram suspensas no ano passado, conforme divulgado no nosso Relatório de Segurança em Anúncios. Oferecemos uma ferramenta para que os usuários possam contribuir e também denunciem violações.”
Como identificar uma “página espelho”
À CNN Brasil, Marco Antônio explicou que existem sinais técnicos e de comportamento que ajudam a detectar as fraudes:
- Verificação da URL (endereço do site): empresas brasileiras geralmente usam a extensão final “.com.br”. Caso o site apresentar apenas “.com”, já se torna um motivo para desconfiar;
- Ícone do cadeado: a ausência do cadeado de segurança (HTTPS) na barra de endereços é um forte indicativo de que o site não é seguro. No entanto, o especialista ainda alerta que a presença do cadeado não garante a completa legitimidade do site, pois esse símbolo também pode ser clonado em determinadas ocasiões;
- Preços excessivamente baixos: Marco Antônio destaca que é importante desconfiar de promoções com valores muito abaixo do mercado ou do que é anunciado no site oficial da marca, uma vez que os golpistas usam essas ofertas como uma “isca” para atrair os usuários;
- Origem do link: páginas “espelho” frequentemente aparecem como anúncios patrocinados no topo das buscas. Para o especialista, a recomendação é que os usuários tentem digitar diretamente o endereço da empresa no navegador em vez de clicar em links de buscadores ou redes sociais.
- Dados de quem recebe o pagamento: antes de finalizar qualquer transação (via Pix ou boleto), é fundamental verificar o nome da pessoa física ou jurídica que receberá o dinheiro, uma vez que ´páginas falsas costumam direcionar pagamentos para contas de terceiros ou nomes de pessoas que não correspondem à empresa oficial.
O que fazer caso caia no golpe
Segundo Marco Antônio, caso o consumidor seja vítima de uma fraude digital, é importante “agir com rapidez”. Assim, o especialista explica que o primeiro passo é a realização de um boletim de ocorrência.
“Registra uma ocorrência policial e informa a empresa [que também é vítima], o site buscador e tente registrar isso na internet, porque isso ajuda bastante também […] Essa reclamação oficial junto à plataforma de busca é um passo crucial, pois, a partir do momento em que é informada sobre a irregularidade, a empresa de tecnologia passa a ter responsabilidade legal caso não tome providências para desabilitar a página falsa e interromper a veiculação do anúncio”, explicou.
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Além disso, caso o pagamento tenha sido feito via Pix, o usuário deve solicitar o bloqueio do valor junto à sua instituição financeira por meio do mecanismo de devolução do Banco Central.
A CNN Brasil entrou em contato com o Parque da Mônica e o espaço segue aberto para manifestações.
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Fonte : CNN