As inovações tecnológicas estão por toda parte nas Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina 2026: enquanto as transmissões televisivas focam em novos ângulos de coberturas proporcionados por drones, a preparação dos atletas usa inteligência artificial (IA) e novos dispositivos adaptados para otimizar o desempenho e fazer a diferença ao buscar uma medalha no gelo.
A delegação do Brasil nos Jogos Olímpicos conta com 14 atletas, um recorde na história do país, e tem até chances de medalha inédita com Lucas Pinheiro Braathen no esqui alpino.
O Canaltech, em parceria com a CNN Brasil, conversou com integrantes do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) para entender as tecnologias por trás de cada treinamento.
Dispositivos e aprendizado de máquina
Ao pensar nos esportes de alto rendimento, a tecnologia pode ser associada com roupas avançadas e equipamentos que garantem melhores resultados. Porém, o núcleo tecnológico vai muito além dos aparelhos.
“Quando fala de tecnologia esportiva, não fala só de equipamentos, vestuários, wearables, softwares. A gente também tem esse apoio para decisões técnicas, durante treinamento de atleta e a competição, e ainda aplicada às gestões internas, para tomadas de decisoes estratégicas”, explica a Coordenadora de Tecnologia Esportiva do COB, Paula Avakian.
A área de tecnologia do comitê é dividida em diferentes subnúcleos: aborda equipamentos, análise de desempenho, inteligência esportiva e parcerias com órgãos externos, como startups e universidades, para uso de inteligência artificial aplicada em cada modalidade.
Todo o processo também é multidisciplinar, envolvendo profissionais de nutrição, medicina e biomecânica (estudo dos movimentos do corpo humano voltado para corrigir padrões e prevenir lesões).
Com relação à IA, Avakian destaca o uso de aprendizado de máquina para analisar quantidades massivas de dados em pouco tempo, o que proporciona um feedback maior e mais imediato aos atletas.
“Nós temos plataformas que possibilitam o vínculo do vídeo com dados quevêm de alguma outra plataforma ou que nós mesmos criamos enquanto analistas num painel aberto. Imagine que num jogo de rugby, por exemplo, enquanto tudo está acontecendo, o analista está lá apertando botões e gerando dados que também vão implementar na tomada de decisões posteriormente”, explica.
A tecnologia pode ser usada de forma preditiva, para identificar possíveis sinais de lesão, mas também ajuda a tomar decisões estratégicas que envolvam toda a equipe de um atleta.
“Vai ter essa ação humana ainda para a tomada de decisões, para o entendimento global. juntar médico, nutricionista, fisiologista e entender o que que aquela variável pode nos trazer com o atleta, que faz parte desse processo também”, conclui.

Entre celulares e sensores
Cada fração de segundo importa nas provas de velocidade, muito comuns nos Jogos Olímpicos de Inverno. Para isso, as equipes podem contar com sensores específicos que avaliam os movimentos e até usar aparelhos do dia a dia, como o celular, para monitorar a performance de cada atleta.
O especialista biomecânico do COB, Franklin Camargo, divide os dispositivos portáteis entre duas categorias: não dedicados e dedicados. A primeira envolve celulares e outros aparelhos que não foram feitos para uma função específica.
“A câmera de um celular tem uma capacidade de registro, em termos de quadros ou frequência de aquisição, e até de resolução de imagem, muito maior do que nós tínhamos há 10, 15 anos. Nós temos na mão um equipamento que não é dedicado exclusivamente para isso, mas pode ser utilizado em diferentes momentos para trazer uma informação que seja relevante”, comenta.
Os dedicados, como o nome sugere, são criados para funções específicas no contexto de análise esportiva, como sensores nos trenós usados pelos competidores.
“Existem sensores inerciais que medem a navegação dos implementos. Tem níveis de inclinação e definição, de aceleração ou desaceleração naquele contexto, e que permite fazer uma interpretação das forças aplicadas, da velocidade que se ganha, das condições de melhor desempenho para diminuir arrasto e aumentar a velocidade, bem como a eficiência”, completa.
Drones roubam a cena
Quem já assistiu a algumas competições dessa edição das Olimpíadas já pode ter percebido uma cobertura com drones para as modalidades em alta velocidade.
A novidade usa os drones de visão em primeira pessoa (FPV, na sigla em inglês) desenvolvidos pela empresa holandesa Dutch Drone Gods. Os itens pesam menos de 250 gramas e conseguem acompanhar atletas em alta velocidade sem perder nenhum lance.

Nas modalidades de descida, como luge e bobsled, os drones conseguem mostrar as principais curvas e pontos de aceleração em espaços curtos. Já no esqui alpino, a câmera mostra toda a ação na descida das montanhas.
*Texto escrito pelo repórter André Magalhães com colaboração de Fernanda Santos
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Fonte : CNN